Do Pleistoceno ao Antropoceno: a história de um fóssil que não tem fim
Entre os milhares de capítulos da história chinesa, poucos se comparam àquele ocupado pelo Homem de Pequim: um conjunto de fósseis pertencentes a uma subespécie de Homo erectus que viveu na China durante o Pleistoceno, há 800 mil anos atrás. Os fósseis foram descobertos a partir de 1921, quando um geólogo sueco e um paleontólogo austríaco acharam o primeiro dente com características humanas em meio a ossos de animais no sistema de cavernas próximo à vila de Zhoukoudian.
A descoberta de outros dentes, ossos e crânios do chamado Homem de Pequim se tornaram o centro não só de intensos debates arqueológicos, mas de propagandas ideológicas e, por fim, de um mistério sem solução. Essa saga também faz parte de algo ainda maior: a história de como a humanidade se descobriu a partir da ciência. E como toda boa narrativa, essa não segue uma linha reta.
3D da réplica de um crânio Homo erectus (Homem de Pequim). Imagem: RLA Archaeology/SketchFab.
A pergunta “de onde vem os seres vivos?” mobiliza a humanidade desde tempos imemoriais. Pelos registros históricos, teorias sobre a natureza e os seres vivos, incluindo sua origem e mutação já eram debatidas na Grécia Antiga, por filósofos como Tales de Mileto e Anaximandro, que viveram entre 620 e 540 antes da Era Comum (AEC). [Forma laica de se referir à “antes de Cristo”.] De lá até o século 19, porém, a teoria que dominou a Europa e, consequentemente, o mundo Ocidental colonizado, foi o Criacionismo: o mundo e todos os seres (pessoas, animais, plantas) são criações divinas de Deus, e, por isso, são perfeitos e imutáveis. Acreditava-se que tudo que se via na Terra, sempre existiu e existiria para sempre. Essa noção, denominada fixismo, só passou a ser questionada a partir do movimento Iluminista do século 18, por pensadores como o Conde de Buffon, nascido Georges-Louis Leclerc (1707–1788), e Erasmus Darwin (1731–1802), o avô do Charles. Em 1809, Jean Baptiste Lamarck (1744–1829) foi o primeiro a oferecer uma explicação científica detalhada sobre o processo de evolução das espécies em seu livro Filosofia da Zoologia. Embora incorreto em diversos sentidos, Lamarck já apontava para a interação entre os seres e o meio ambiente como fator determinante. Na lógica dele, os seres mudaram as suas formas físicas ao longo do tempo de acordo com as características que lhes foram mais úteis para superar alguma mudança no meio ambiente ou desafio natural. Ou seja, uma espécie é de um jeito -> o meio ambiente muda -> os indivíduos da espécie se esforçam para se adaptar -> esses esforços alteram a sua própria forma física -> seus filhotes herdam essas novas características. Embora faça sentido, não é bem assim que a roda gira. Na verdade, é justamente o contrário.
A chamada Teoria da Evolução, explicação que resiste ao tempo, à lógica e à todas as descobertas científicas até hoje, teve um “pai” provável, se considerarmos que Charles Darwin (1809–1882) nasceu no ano de publicação do livro de Lamarck em uma família proeminente no tema. Em sua obra revolucionária A Origem das Espécies (1859), Darwin propôs a noção de “seleção natural“, na qual é o meio ambiente que determina quais características prevalecem na população de cada espécie. Nessa lógica, uma espécie tem indivíduos com alturas, pesos e características variadas -> o meio ambiente muda -> apenas os indivíduos que, por sorte, nasceram com certas características sobrevivem e procriam -> seus filhotes herdam essas características. Ao “inverter a ordem”, colocando o meio ambiente como determinante para a sobrevivência e evolução das espécies, Darwin introduziu outra noção revolucionária para a época: a “extinção“. Suas propostas, porém, não eram totalmente abstratas: na época, o mundo vivia uma efervescência de descobertas paleontológicas. Em 1842, fósseis parciais levaram Sir Richard Owen a cunhar o termo “dinossauro” pela primeira vez e, em 1858, as primeiras ossadas completas foram descobertas paralelamente na Inglaterra e nos Estados Unidos.
Nota 1: Da Antiguidade até o Criacionismo ser questionado, contatos entre humanos e fósseis de dinossauros, da megafauna e de outras espécies extintas serviram como origem para diversos mitos e lendas. Na China, por exemplo, esses fósseis deram origem à mitologia dos dragões, que se enraizaram em diversas culturas antigas vivendo no território e são símbolos nacionais até hoje. GEOMITOLOGIA.


As descobertas do período, porém, não se restringiram à bichos fantásticos. Em 1856, três anos antes de Darwin publicar sua teoria geral, o mundo reconheceu o primeiro esqueleto de algum dos nossos ancestrais extintos — uma outra espécie Homo. O Homo neanderthalensis ou Neandertal, que hoje sabemos ter vivido entre 400.000 e 40.000 anos atrás, foi batizado em homenagem ao Vale do Neander, na Alemanha, onde foi encontrado.
Nota 2: Esse caso ilustra como o reconhecimento é mais importante do que a própria descoberta; reconhecimento não só como repercussão, que também é fundamental, mas como capacidade interpretativa, tanto intelectual, quanto tecnológica. Na época, não existiam métodos de datação por carbono-14 ou outras substâncias, muito menos DNA, os cientistas faziam apenas comparações morfológicas anatômicas superficiais. Isto explica porque um crânio Neandertal encontrado na Bélgica em 1829 foi classificado como um Homo sapiens portador de alguma deficiência ou que sofria de alguma doença óssea.
Boa parte do mundo rejeitava tudo isso ferozmente. Mas entre quem aceitava a teoria, a obsessão logo se tornou nós mesmos: de onde vieram os seres humanos? Darwin respondeu a questão como um desdobramento da sua teoria, propondo que a humanidade descende de um ancestral comum aos macacos e provavelmente se originou na África, em sua obra menos conhecida, mas não menos genial A Descendência do Homem (1871). Dessa vez, porém, ele não convenceu nem os convertidos e a hipótese que prevaleceu até o final do século 20 era a de que o nós, Homo sapiens, teríamos surgido na Europa, como apontava a descoberta do Neandertal, ou na Ásia, onde um esqueleto de outro ancestral nosso ainda mais antigo foi encontrado em 1891 na ilha de Java, Indonésia: o Homo erectus, que agora sabemos ter vivido de 1,9 milhão a 100.000 anos atrás.
E é aqui que entra em cena o Homem de Pequim.
Como já falei, a nossa história começa em 1921, ano de fundação do Partido Comunista Chinês (PCC), com a descoberta de um dente humanoide em meio a ossos de animais numa caverna de calcário, em Lónggushān, ou “Colina do Osso de Dragão“, a 42km sudoeste de Beijing.
Nesta época, a China vivia profundas transformações e graves conflitos internos: após a destituição da dinastia Qing em 1912, a primeira geração do Partido Nacionalista (Kuomintang) havia se dividido e perdido o controle do país em 1916 e a região da capital, sob o “Governo de Beiyang”, sofria com protestos da população após apoiar os Aliados na Primeira Guerra Mundial e serem preteridos em suas reivindicações no Tratado de Versalhes. Apesar da escanteada, essa relação relativamente amigável entre Beijing e a Europa Ocidental/Estados Unidos é justamente o cenário principal no qual a história do Homem de Pequim vai se desenrolar.
De volta ao dente, a descoberta chamou a atenção do anatomista canadense Davidson Black, que atuava em Beijing como o chefe do Departamento de Anatomia da Peking Union Medical College (PUMC), instituição médica missionários americanos e britânicos em 1906 e financiada pela Fundação Rockefeller a partir de 1915. Em 1927, enquanto o Partido Comunista declarava guerra civil contra o Partido Nacionalista no sul da China, Black conseguiu garantir recursos para promover extensas escavações nas cavernas de Lónggushān. O resultado foi um dos maiores conjuntos de fósseis da espécie Homo já encontrados: 40 indivíduos diferentes, incluindo homens, mulheres e crianças que tinham consigo ferramentas de pedra e vestígios de lareiras. Vivendo na região entre 770.000 e 230.000 anos atrás, o “Homem de Pequim” foi identificado como subespécie do Homo erectus e comprovou tanto a existência de cultura, quanto de manejo do fogo já nesta época.


Embora tudo apontasse para um épico heroico, a década de 1930 tornou a história em uma epopeia trágica. Enquanto a guerra civil entre nacionalistas e comunistas ainda dominava o sul da China, no norte, o Japão passou a ameaçar a segurança da capital com a invasão da região da Manchúria em 1931 e a invasão de Beijing em 1937, iniciando a Segunda Guerra Sino-Japonesa. [Na história da China, essa guerra coincide e se confunde com a 2ª Guerra Mundial, com ambas chegando ao fim em 1945.]
Paralelamente, a PMUC precisou lidar com a morte repentina de David Black em 1934 e a sua substituição pelo anatomista alemão Franz Weidenreich para continuar com as pesquisas sobre o “Homem de Pequim”. Como a ocupação japonesa de Beijing inicialmente poupou instituições estrangeiras (como era o caso da PMUC) para não causar incidentes diplomáticos, a PMUC teve tempo para produzir réplicas, moldes, desenhos e descrições detalhadas dos fósseis. Quando o Japão se aliou ao bloco da Alemanha Nazista e da Itália Fascista em 1940, Weidenreich começou a articular o envio dos originais para fora da China. Após meses (nos quais Weidenreich inclusive saiu do país), um acordo entre chineses e americanos para remeter os preciosos fósseis aos Estados Unidos para salvaguarda finalmente foi firmado em agosto de 1941.
Entre novembro e o início de dezembro, equipes da PMUC embalaram os ossos milenares e os colocaram em dois baús militares de madeira. Em DATA, os baús foram entregues aos U.S. Marines (a notória Marinha americana), que — em tese — os transportou a sua base, Camp Holcomb, na cidade portuária de Qinhuangdao. O plano era despachá-los no navio SS Presidente Harrison, que aportaria em Nova York, finalmente chegando ao Museu Americano de História Natural. Nada disso aconteceu. Entre 07 e 08 de dezembro de 1941, um ataque coordenado e sem precedentes pelo Japão bombardeou Pearl Harbor, interceptou trens e navios americanos no Pacífico, e invadiu edifícios estrangeiros em Pequim, inclusive a PMUC. Os baús sumiram sem deixar vestígios, com pelo menos quatro destinos verossímeis que mobilizaram investigações e buscas nos últimos 85 anos:
1) Foram destruídos acidentalmente pelos japoneses em algum ponto do transporte entre o PMUC e a base americana;
2) Foram interceptados e confiscados secretamente pelos japoneses em algum ponto do transporte ou já na base americana;
3) Foram destruídos ou afundados acidentalmente junto ao navio SS Presidente Harrison, interceptado em 8 de dezembro de 1941 e afundado em 12 de setembro de 1944;
4) Foram enterrados na base americana, como última opção de salvaguarda disponível.
Sobre as duas primeiras, sabemos que os japoneses invadiram a PMUC e o Camp Holcomb, e que na primeira, estavam em busca dos fósseis, mas só encontraram suas réplicas de gesso, enquanto no segundo, confiscaram toda a carga militar, mas os diários e manifestos oficiais japoneses da época nunca registraram a apreensão de ossos pré-históricos. Já a hipótese envolvendo o SS Presidente Harrison pode ser excluída pela mera a cronologia dos fatos: o navio foi interceptado pelos japoneses na madrugada de 8 de dezembro de 1941, quando estava a caminho do porto de Qinhuangdao, onde estavam os fósseis, mas ainda próximo de Xangai, a centenas de quilômetros de distância.
Igualmente fascinado pelo “Homem de Pequim”, Weidenreich desenvolveu a hipótese do “Policentrismo”, na qual as raças humanas modernas evoluíram de forma independente a partir de populações locais de Homo erectus que se adaptaram em diferentes regiões do mundo.
Embora na época do desaparecimento a guerra também parecesse perdida, o Japão acabou derrotado quatro anos depois e os chineses retomaram a sua guerra civil em 1946. Esse longo período mortífero, que custou a vida de 10 e 20 milhões de chineses, culminou com proclamação da República Popular da China pelos comunistas em 1949, e o exílio dos nacionalistas na ilha de Taiwan. O Japão foi ocupado pelos americanos (1945–1952), e instituições como a Universidade Imperial de Tóquio foram vasculhadas, encontrando-se uma vasta coleção de espécimes científicos, livros raros e instrumentos roubados do PMUC durante a guerra. Catalogados e devolvidos à China nos anos seguintes, o conjunto recuperado incluía ferramentas líticas e fósseis animais de Zhoukoudian, mas não os crânios originais do Homem de Pequim. Suspeitas de que cientistas japoneses teriam escondido os fósseis originais antes da ocupação americana nunca se confirmaram; os que foram interrogados sempre mantiveram, sob juramento, que os baús nunca chegaram ao Japão. Essas informações também tornam improvável os japoneses terem propositalmente os destruído.
Os chineses, sob a liderança de Mao Tsé-Tung, retomaram as buscas por novos fósseis entre 1951 e 1966, escavando novos dentes, ossos e partes de crânios. Mas, sob o comunismo, o interesse ia além do que arqueológico ou científico; o Homem de Pequim se tornou um símbolo nacional fundamental que servia como a base perfeita para Mao articular uma narrativa ideológica forte e efetiva.
Sublinhando a presença das ferramentas junto aos fósseis de espécies ancestrais, foi possível rever a história chinesa pelo prisma do materialismo histórico proposto por de Karl Marx e Friedrich Engels — no qual as condições materiais e produtivas são determinantes para formar a cultura, política e economia de uma sociedade —, e comprovar a máxima comunista de que “o trabalho criou o homem”. Mao ainda foi mais longe, usando o Homem de Pequim para propor que o homem chinês primitivo já vivia em sociedades de traços comunistas.
(A máxima, na verdade, é uma frase retirada do ensaio de Engels “O papel do trabalho na transformação do macaco em homem”, de 1876, que diz: “O trabalho é muitíssimo mais do que isso. É a condição básica e fundamental de toda a vida humana. E em tal grau que, até certo ponto, podemos afirmar que o trabalho criou o próprio homem.”)

No campo arqueológico, o Homem de Peking, associado ao Homo erectus encontrado em Java deu força à teorias que apontavam a Ásia como o “berço da humanidade”. Na década de 1960, porém, três descobertas arqueológicas de peso voltaram a mobilizar o pensamento evolutivo em outra direção. A primeira, ocorrida em Jebel Irhoud, Marrocos, em 1961, eram fósseis hominídeos de 300.000 anos, inicialmente classificados como Neandertal. Em 2017, constatou-se que tratam-se dos Homo sapiens mais antigos do mundo. Na época, portanto, o título ficou com os fósseis de pelo menos 233.000 anos encontrados em 1967 em Omo Kibish, Etiópia, considerado o “berço da humanidade”. No mesmo ano, fósseis inicialmente escavados nos anos 1930 em Qafzeh e Skhul, território da Palestina, foram reanalisados e levaram à terceira descoberta: tratavam-se de Homo sapiens, comprovando que humanos haviam saído da África muito antes do que se pensava.
Nas décadas seguintes, outras descobertas afunilaram o debate entre duas hipóteses principais: o “Modelo Multirregional”, que reformulava o “Policentrismo” de Weidenreich; e a Teoria de Origem Única, ou “Out of Africa” em inglês, que resgatou e refinou a proposta de Darwin a partir da década de 1970, comprovando-a geneticamente em 1987. Publicado na revista Nature, esse estudo revolucionário conseguiu rastrear, em toda a população humana, uma ancestral única, conhecida como a Eva Mitocondrial: a ancestral comum feminina mais recente de todos os seres humanos vivos atualmente. O que possibilita esse rastreamento é, justamente, a herança genética feminina, uma vez que o DNA mitocondrial (mtDNA), passado exclusivamente da mãe para os filhos, não se mistura com o DNA nuclear, composto também pelo DNA do pai. Com base nas análises genéticas, estima-se que essa mulher — a origem de todos nós — viveu na África entre 150.000 e 200.000 anos atrás.

Graças à diversos avanços, hoje entendemos que o ser humano (Homo sapiens), é uma espécie do gênero Homo (hominíneos); da subtribo Hominina, da qual fazem parte o Australopithecus; da tribo Hominini, que divide com os chimpanzés; da subfamília e família Homininae (hominídeos); da ordem dos Primatas; da classe Mammalia (mamíferos); do reino Animalia (animais). Conhecemos 11 espécies Homo extintas, das quais a última foi descoberta no sudeste da Sibéria em 2008 e ainda não possui classificação científica, sendo apelidada de “Homem de Denisova”. E, ao contrário da ideia linear de evolução, onde o Homo sapiens simplesmente substituiu seu ancestral imediato, sabemos que fomos contemporâneos aos Neandertais, Denisovanos, Homo erectus e à pelo menos três outras espécies da nossa linhagem.
Temos provas de que o Homo sapiens surgiu há cerca de 300.000 anos na África, realizando migrações em direções e momentos diferentes, adaptando-se profundamente às diferentes regiões onde nos estabelecemos. Mas também temos provas de que não fomos os únicos nem os primeiros a sair da África, a dominar o fogo, a fazer ferramentas, ou a enterrar nossos mortos. Temos provas até de que convivemos, cruzamos e quiçá aprendemos com Neandertais e Denisovanos, que sobrevivem nos genes de alguns de nós.
O que não sabemos ainda, e talvez nunca saberemos, é porque só nós sobrevivemos? Causamos a extinção das outras espécies que nos precederam, as superamos naturalmente ou se simplesmente demos sorte? Desse grande convívio hominídeo, do qual temos tão poucos exercícios imaginários, fico com o filme A guerra do fogo (1981), que apesar do título, é justamente sobre o encontro e a diversidade genética e cultural entre os grupos primitivos inventados.
Igualmente, o último capítulo do Homem de Pequim permanece em aberto. A quarta hipótese sobre seu destino, que seria a mais improvável, gerou notícias e esperanças nas últimas décadas. Em abril de 2010, um americano enviou um e-mail ao renomado paleoantropólogo sul-africano Lee Berger contando a história de seu pai, o fuzileiro naval Richard Bowen. Enviado para a China em 1947, Bowen e sua unidade estavam em Qinhuangdao quando foram cercados pelo exército comunista chinês, então engajado na reta final da guerra civil com os nacionalistas. Ordenado a cavar trincheiras e posições de defesa ao redor da base, a pá de Bowen teria atingido um baú de madeira enterrado. Ao abri-lo, encontrou ossos e crânios humanos empoeirados. Sem muitas alternativas perante o confronto iminente com os chineses, Bowden relatou ao filho que fechou a caixa e a cobriu novamente com terra, tendo antigas barreiras de pedra próximas ao local como sua única referência.
Após confirmar os detalhes possíveis com a Marinha americana, Berger e cientistas chineses usaram mapas militares antigos, descrições fornecidas pelo filho de Bowden e imagens de satélite contemporâneas para localizar o antigo Camp Holcomb. Mas a cidade de Qinhuangdao havia crescido agressivamente (como boa parte da China) e a antiga base militar, antes numa área rural, havia sido completamente engolida pelo desenvolvimento urbano. O local considerado mais provável para encontrar os baús é hoje uma zona industrial portuária repleta de armazéns e sob o asfalto de um grande estacionamento, com um processo complexo de burocracias, custos e viabilização técnica para realizar escavações exploratórias profundas. Por isso, o paradeiro do Homem de Pequim, caso esteja sob o concreto, permanece um mistério.
Nota: se a arqueologia e o passado são campos vivos, que são revisados e rescritos ao longo do tempo, o que será desse diário daqui alguns anos? Meses? Dias?
Eu penso
Deve ser o caso que
uma geração deveria ter
tantos vivos quanto agora.
Para fazer isso e
ter muitas espécies
no mesmo genus (como ocorre)
requer extinção.
Assim, entre A & B,
imenso hiato de relação.
C & B gradação mais sutil,
B & D uma distinção um tanto maior.
Então gêneros seriam formados -
guardando relações
com tipos antigos.
— Charles Darwin em "Primeiro Caderno sobre a Transmutação das Espécies" (1837), tradução minha

REFERÊNCIAS SELECIONADAS
“Ancient Human Species We Once Co-Existed With“, documentário da NewScientist, 2026.
“The Strange Case of Peking Man“, documentário da Timeline, 2002.
“O papel do trabalho na transformação do macaco em homem“, de Friedrich Engels, 1876.
“A Guerra do Fogo” [“La Guerre du feu”] , filme do diretor Jean-Jacques Annaud, 1981.
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