Milênios em um scroll
Toda vez que eu quero entender alguma coisa, começo por me emburacar na sua história. Embora eu acredite que para realmente compreender é preciso vivenciar, eu também acredito que a vivência só vai ser compreendida se você estiver estudado onde ou no que está se metendo.
Nesse caso, eu estou indo para a China e, muito além de crenças pessoais, estamos falando de uma terra que foi habitada por nossos antepassados há quase 2 milhões de anos. [Para referência, eu venho das Américas, que só conheceu o Homo sapiens e que só foi desbravada a partir de meros 40.000 mil anos atrás].
Das cavernas à domesticação do painço e do cachorro, passando pela ascensão e queda de centenas de dinastias, reinos e regimes e por invenções revolucionárias, até construir a nação que hoje aponta os caminhos para o futuro — nenhuma história no planeta Terra é mais importante do que a da China.
Pré-história
da chegada dos hominídeos às culturas que precederam a escrita

Imagem: Museum Volunteers/JMM.
1,7 milhão — 400.000 anos atrás
Depois do surgimento da espécie Homo na África há cerca de 2,4 milhões de anos, o Homo erectus se tornou o primeiro da nossa linhagem a se espalhar pelo mundo.
O fóssil mais antigo da Ásia, datado de 1,7 milhão de anos atrás, é do “Homem de Yuanmou“, uma sub-espécie do H. erectus nomeado com a bacia hidrográfica onde o acharam em 1965, na província sudeste de Yunnan, China.
A descoberta assumiu o pódio até então ocupado pelo “Homem de Pequim“, outra subespécie de H. erectus, que viveu há 800 mil anos nas Cavernas Zhoukoudian, 42km de Beijing. Hoje, acredita-se que o H. erectus desapareceu da África e da Ásia há cerca de 400 mil anos.
146.000 anos atrás
Durante pelo menos 2,3 milhões de anos, o mundo era habitado por diferentes espécies do gênero Homo. No seu auge, entre 300 e 50 mil anos atrás, haviam, pelo menos, 6 espécies. Um delas foi o Homo longi ou “Homem Dragão”, encontrado na região de Heilongjiang, nordeste da China. Embora conhecemos pouco sobre sua cultura, sabemos como era um de seus rostos e que são geneticamente ligados aos Denisovanos.

Imagem: Wei Gao/Chuang Zhao.

40.000 anos atrás
Após surgir na África cerca de 300 mil anos atrás, Homo sapiens (nós) fizeram raras excursões para fora do continente até sua grande onda migratória, há aproximadamente 60 mil anos. A datação mais antiga de Homo sapiens na China, totalmente aceita (com DNA sequenciado), é do “Homem de Tianyuan“, que viveu há 40.000 anos na caverna que lhe deu nome, perto de Beijing.
[Na China, porém, há quem defenda que humanos viviam na província centro-sul de Hunan, onde 47 dentes humanos foram encontrados na Caverna Fuyan em 2015 e datados inicialmente de 80.000 anos atrás. Desde então, porém, contestações à datação colocam os dentes em aproximadamente 10.000 anos atrás.]
20.000 anos atrás
Entre as tantas tecnologias da qual a China foi berço, a primeira é a cerâmica: os fragmentos mais antigos do mundo foram encontrados na Caverna Xianrendong, província de Jiangxi, a oeste de Xangai, no período Paleolítico.
A tradição se enraizou onde nasceu: Jiangxi foi o epicentro mundial da produção de cerâmica entre os séculos 10 e 19; e hoje o maior centro do país é a cidade de Jingdezhen, no coração desta região.

Imagem: Revista Science/C&EN.

Imagem: A. Binu/Wikicommons
12.000–8.000 anos atrás
Com o fim da última Era do Gelo e o início da “Idade da Pedra Polida” (ou Neolítico), a humanidade dá um passo que muda tudo: a Revolução Agrícola. Na China, os indícios mais antigas da domesticação de plantas e animais inclui a domesticação do milheto (ou painço), grão mais importante da época, de cachorros e de porcos, na região de Hebei, próximo a Beijing (norte seco); do arroz no vale do rio Yangtzé, a oeste de Xangai (sul úmido); e do cânhamo/cannabis em Shaanxi, vale do rio Amarelo e em Zheijang, perto de Xangai, como uma das primeiras culturas não alimentares do mundo.
5000–3000 AEC
Após a “Idade da Pedra” (Neolítico), a humanidade entraria na chamada Idade dos Metais: Cobre, . 5000 AEC;c Bronze, c. 3.000 AEC; e Ferro, c. 1200 AEC.
Uma das primeiras culturas reconhecíveis a surgir na China na transição Neolítica foi a Cultura Yangshao, no noroeste do país. Embora seu nome derive do primeiro sítio encontrado em Henan, a cultura ocupou partes de Shaanxi e Shanxi, no vale do Rio Amarelo, a leste de Xi’An. Famosa por sua cerâmica pintada com figuras e símbolos, a cultura floresceu com base na domesticação de plantas e animais já citados, entre outros, e além do cânhamo, foram um dos primeiros a extrair e usar a seda, embora timidamente.

Imagem: China Incógnita.

Imagem: China Daily.
3300–2250 AEC
Cultura Liangzhu surge na região ao norte de Xangai, e prospera com o domínio dos processos de produção de seda, jade, marfim e laca (tipo de seiva).
3300–2000 AEC
Cultura Majiayao surge nas regiões de Gansu e Sichuan, noroeste do país, reconhecida por suas cerâmicas pintadas (incluindo o símbolo da suástica) e por produzir os artefatos de bronze mais antigos da China (facas rudimentares).

Imagem: Gary Todd/Wikicommons.

Imagem: Sotheby’s.
3000–1900 AEC
Cultura Longshan surge no nordeste da China, ao longo do rio Amarelo, identificado com seus objetos de cerâmica preta, mas também de jade, peças de vestuário preservadas e símbolos que podem representar uma protoescrita.
2852–2070 AEC
Período mítico dos Três Soberanos e Cinco Imperadores, com semideuses que ensinaram aos humanos diversas habilidades, e a lendária figura do Imperador Amarelo (Huang Di), ancestral do povo chinês (Han).


Imagem: Philadelphia Museum of Art/Wikicommons.
2070–1600 AEC
Fundação da mítica Dinastia Xia por Yu, o Grande, após ter controlado uma grande enchente do rio Amarelo. Além da engenharia hidráulica, credita-se à Yu e sua dinastia a criação do sistema de monarquias hereditárias, o calendário lunar (Xia Xiao Zheng), a criação das leis primitivas e até a produção dos primeiros vinhos de arroz.
2000 AEC
Noodle mais antigo do mundo encontrado em Lajiazhen, perto do Tibete.


1920–1900 AEC
Provas arqueológicas de uma enchente devastadora no rio Amarelo em 1920 AEC e do surgimento da Cultura Erlitou na região de Luoyang (1900-1500 AEC) apontam para uma conexão entre si e com a lendária Dinastia Xia.
1800–900 AEC
Cultura Sanxingdui surge em Sichuan, sudeste da China, especulando-se que ligada ao Reino de Shu e identificada por suas enigmáticas esculturas em bronze e ouro, incluindo diversas de grandes proporções. Foi paralela e permaneceu fora do domínio das dinastias Shang e Zhou.

Imagem: China Daily.
Primeiras dinastias
do surgimento da escrita à virada para a Era Comum

Imagem: Metropolitan Museum of Art.
1675–1046 AEC
A Dinastia Shang foi a primeira sociedade estratificada de tipo monárquico comprovada arqueologicamente na China, com um rei que governava o vale do rio Amarelo com auxílio de uma aristocracia militar e de xamãs. Centrada durante um período na cidade atual de Anyang, ao sul de Beijing, especula-se que enfrentaram adversidades como enchentes que os fizeram mudar o centro político mais de uma vez. São responsáveis pela transição do calendário lunar para solar com 365 dias e por criar sistemas de números e escrita em ossos oraculares (c. 1300 AEC), além de dominar o bronze.
1046–256 AEC
A Dinastia Zhou, dividida entre a fase Ocidental sediada em Fenghao, próximo à Xi’An (1046–771 AEC) e a Oriental centrada em Luoyang (771 –256 AEC), enfrentou uma série de invasões nômades vindas do Norte. Foi responsável por consolidar o sistema feudal e criar o conceito do Mandato do Céu, além de sofisticar a escrita em inscrições em bronze, poemas Shi Jing e no I Ching, o “Livro das Mutações” (c. 1000 AEC).


770–476 AEC
No início da Dinastia Zhou Oriental, a primeira fase de fragmentação política é referida como Primaveras e Outonos e cobre diversos avanços culturais, incluindo a criação do dinheiro-faca ou daobi usado pela dinastia Zhou e pelos nômades (c. 600 AEC); do jogo Go (548 AEC); das primeiras leis escritas no estado de Zheng, atual região de Henan (543 AEC); do ferro fundido (c. 500 AEC); e do texto A Arte da Guerra de Sun Tzu; além de cobrir o tempo de vida do semilendário Laozi ou Lao Tsé (c. 600-500 AEC), de Buda, nascido na Índia (c. 563-410 ou 480-370 AEC), e de Confúcio (551-479 AEC).
704 AEC
Nos vales dos rio Yangtzé e Huai, no sul da China Central, onde estão atualmente as províncias de Hubei, Hunan e partes de Anhui, floresceu o reino mais místico, mágico e exótico da China antiga: o Reino de Chu. Com uma população multicultural, a elite local, incorporada ao sistema feudal da Dinastia Qin, rebelou-se em 704 AEC, declarando um rei próprio (Rei Wu de Chu). Além de ser o berço e centro do Taoísmo (Laozi e Zhuangzi teriam nascido lá), a região era fortemente ligada ao Xamanismo (Wu) e mestres de tradições como a laca. Culturalmente, o reino seria eternizado na antologia de poemas Chu Ci ou “Canções de Chu”, escrita por Qu Yuan (340-278 AEC) durante o período dos Estados Combatentes e, mais tarde ainda, em óperas sobre seu general, Xiang Yu, que tentou reviver o reino, mas foi derrotado por Liu Bang, fundador da Dinastia Han.


600–221 AEC
No campo filosófico, religioso e intelectual, esse período instável e fértil é referido como as “Cem Escolas de Pensamento” (Bai Jia), pelo florescimento do Confucionismo, Moísmo, Taoísmo, Legalismo, entre outras visões que buscavam dar sentido ao mundo e ordem aos homens. Os exemplares mais antigos destes textos estão preservados em tiras de bambu de 300 AEC (Guodian Chu) do reino de Chu, que contém tratados de Confúcio e trechos do Tao Te Ching ou Daodejing.
475–221 AEC
O final da Dinastia Zhou Oriental também é o período dos Estados Combatentes, marcado por conflitos entre os 7 estados existentes (Qin, Han, Wei, Yan, Zhao, Qi e Shu), mas também culturalmente fértil, com a difusão das novas filosofias; a narrativa literária de Zuo Zhang; as primeiras pinturas em seda, onde aparecem dragões e fênix; a invenção da bússola (rudimentar), ligada ao Feng Shui; e os primeiros catálogos de estrelas do mundo. O clima bélico do período também aperfeiçoou tecnologias de guerra como armaduras de escamas e a invenção da Besta (crossbow). Destaca-se ainda a compilação dos Ritos de Zhou e adição dos “Registros de Artesãos” (Kaogongji) nesse período, embora a tradição chinesa os atribua à Dinastia Zhou Ocidental.


221–206 AEC
A Dinastia Qin, fundada por Zheng de Qin após vencer os outros seis “estados combatentes”, foi a primeira a unificar grande parte da China. Assumindo o nome de Qin Shi Huang Di, o 1º imperador adotou o Legalismo e baniu o Confucionismo, promovendo profundas mudanças culturais, como a padronização de pesos e medidas, escrita e moeda; a construção de uma muralha de terra; e a queima de livros e enterro vivo de intelectuais que se recusaram a adotar medidas. O imperador também construiu uma enorme tumba, contendo, entre outros tesouros um exército com 8.000 guerreiros de terracota. Ao morrer, a dinastia se desintegrou rapidamente em disputas internas e externas pelo poder.
202 AEC–220 EC
Após a morte do imperador Qin Shi Huang Di, ressentimentos contra suas regras autoritárias e o vácuo de poder geraram diversas revoltas ao redor do império. O camponês Liu Bang, líder de uma dessas rebeliões, foi vitorioso contra as forças Qin e seus rivais, especialmente o reino de Chu, fundando a Dinastia Han como o Imperador Gaozu. Além de unificar e expandir o território da China, esse período transformou a identidade chinesa. Até então, denominava-se Huaxia todas as pessoas e tribos que compartilhavam de tradições ligadas às culturas milenares da bacia do rio Amarelo. A partir da nova unificação, essa aproximação se tornou uma identidade política e étnica unificada, rebatizada de Han. Politicamente, a dinastia é organizada entre “Xi” ou Oeste (206 AEC-25 EC), cuja capital era Xi’An e “Dong” ou Leste (25-220 EC), cuja capital era Luoyang, brevemente interrompidas por a Dinastia Xin (9-25 EC), que usurpou o poder. Em seu auge, a partir de 206 AEC, passaram a criar armaduras mortuárias de jade. A dinastia padronizou as leis, a escrita, os impostos e a burocracia, e viu avanços culturais e tecnológicos formidáveis como o uso do aço (100 AEC), os primeiros registros históricos (por Sima Qian, 91 AEC), a invenção carrinho de mão (30 AEC), o primeiro registro escrito inteiramente dedicado à vida das mulheres (por Liu Xiang, 18 AEC), a invenção do papel (por Cai Lun, 105 EC), técnicas de impressão de estampas sobre seda com blocos de madeira (século 2 EC), entre outros. Como referência, quando Jesus nasceu, haviam 59 milhões de pessoas no império Han, e ninguém ouviria falar dele mais de um milênio. Na China desse período, foi o Confucionismo que se consolidou como a principal filosofia religiosa (130 EC), enquanto o Taoísmo era enraizado na região de Chu.

(40 AEC), Tumba nº 1 de Xishan, em Yongcheng.
Imagem: Henan Museum/Wikicommons.

Imagem: The History Blog.
100 AEC–100 EC
Passados 200 a 400 anos desde seu surgimento incerto, os ensinamentos do Buda se disseminaram e se tornaram uma complexa filosofia religiosa. Sabe-se que o Budismo chegou à China durante a Dinastia Han, com lendas apontando para o 1º século EC. É neste período que também aparecem os textos budistas mais antigos já encontrados, no atual Paquistão.
Dinastias da Era Comum
das Eras de Ouro ao Século da Humilhação
220-280
Com o colapso da Dinastia Han, a China fragmentou-se nos chamados Três Reinos, governados por senhores de guerra icônicos. O primeiro, Cao Wei, foi fundado no norte por Cao Pi, filho do general Cao Cao, era o reino mais rico, populoso e militarmente forte. O segundo, Shu Han, foi estabelecido na região de Sichuan por Liu Bei, invocando tanto raízes no antigo reino de Shu, quanto na linhagem Han; e o último, Dong Wu, fundado por Sun Quan no sudeste, controlava o Rio Yangtze com uma marinha poderosa e também se considerava uma continuidade da cultura Han (ver as Seis Dinastias). É uma das eras mais romantizadas da história asiática, com destaque para o Romance dos Três Reinos, escrito por Luo Guanzhong no século 14.

Imagem: National Museum of Asian Art.


Imagem: Palace Museum (Beijing)/Wikicommons.
280–420
Após séculos de relativa diplomacia entre os Três Reinos, uma mudança de poder em Wei mobilizou a conquista dos reinos de Shu e Wu, reunificando brevemente a China sob a primeira Dinastia Jin. Suas duas fases são chamadas: Jin Ocidental (265–316), marcada por guerras civis e invasões de povos nômades, que tomaram a capital Luoyang; e Jin Oriental (317–420), mantida pela elite Han que consegue fugir ao sul, instalando-se em Nanjing e impulsionando um período de florescimento cultural. Ainda na primeira fase, o Imperador Wu (266–290) criou um dos legados mais marcantes da China dinástica: o Guozijian, ou “Academia Imperial“, que se tornaria a espinha dorsal do sistema administrativo chinês. Já na segunda fase, a efervescência cultural tem como ápice o Encontro do Pavilhão das Orquídeas (353), que reuniu 41 intelecutais para atividades artísticas, poéticas e sociais em Shaoxing. No Sul, a dinastia começou a desintegrar a partir de 403, com usurpações e disputas de poder que levaram às “Dinastias do Norte e do Sul”.
316-420
Após a queda da Dinastia Jin Ocidental, em 316, cerca de 20 tribos nômades disputaram o poder na região de Xi’An e Luoyang, embora o período seja referido como “Dezesseis Reinos“. Entre eles, os Wu Hu (“Cinco Bárbaros”) abrangiam povos originários das estepes da Mongólia (Xiongnu e Jie), da Manchúria e Mongólia Oriental (Xianbei), das montanhas de Gansu e Sichuan (Di) e do Tibete (Qiang), que já viviam relativamente integrados na sociedade chinesa. Para governar, esses povos adotaram a escrita, burocracia e nomes dinásticos chineses (Han), acelerando a fusão entre culturas. O Budismo teve uma explosão de popularidade, sendo promovido pelos povos nômades e ressoando com o momento sofrido da população que não fugiu para o Sul. Um de seus principais centros, as magníficas Cavernas de Mogao, em Dunhuang, construídas a partir de 366 e floresceram como o centro de difusão no estado de Liang do Norte (397-439), que se firmou no Corredor de Hexi ou Gansu, extremo leste da Rota da Seda.


420-589
Conhecido como as Dinastias do Norte e do Sul, esse período reúne sequências de dinastias em cada região. No Norte, o período caótico chegou ao fim quando a tribo Tuoba, da etnia Xianbei, unificou o território sob a Dinastia Wei do Norte (439–524). Essa depois dividiu-se em duas metades: a primeira, que começou como Wei Ocidental (534–550), se tornou Qi do Norte (550–581); e a segunda, Wei Oriental (534–557), se tornou Zhou do Norte (557–581). Enquanto isso no Sul, a tentativa de manter a linhagem Han agrupa o período das “Seis Dinastias”, que começam ainda nos Três Reinos, segue na Dinastia Jin Oriental, e sucede-se em quatro outras: Liu Song (420–479), Qi do Sul (479–502), Liang (502–557) e Chen (557–589).
581-618
Comparada à Dinastia Qin por seus efeitos longevos apesar da curta duração, a Dinastia Sui foi responsável por reunificar a China após quatro séculos e criar as bases de sistemas estruturais das dinastias seguintes. Após reconquistar o Norte em 581 e o Sul em 589, o general Yang Jian assumiu o nome de Imperador Wen e retornou a capital à Xi’An (então Daxing). Ele também se converteu ao Budismo, promovendo a religião e outras medidas culturais e obras estruturais para aproximar Norte e Sul. Desta época, destacam-se o Grande Canal, ligando os rios Amarelo e Yangtzé, a reconstrução (ainda de terra) de partes da Muralha da China, e o embrião do sistema de exames imperiais para a admissão de funcionários públicos.


618-906
Após a Dinastia Han, a Dinastia Tang é considerada o ápice da civilização chinesa imperial, por sua estabilidade política e esplendor cultural. Foi fundada pelo general Li Yuan, após liderar uma rebelião contra a tirania e crise econômica da Dinastia Sui. Assumindo como Imperador Gaozu de Tang, ele estabilizou a economia com as moedas de bronze Kaiyuan Tongbao e a ordem social com o Código Tang (624/653). Pouco depois, seu filho, Li Shimin, forçou sua abdicação, matou os irmãos e assumiu como o Imperador Taizong (626–649). Além de controlar a Rota da Seda, ele aperfeiçoou e expandiu os exames imperiais, governando com incentivo à autocrítica e tolerância religiosa, inclusive reconhecendo o Cristianismo, que chegou em 635 com o missionário siríaco Alopen da Igreja Assíria do Oriente (“Nestoriano” ou Jingjiao). Seu filho caçula, o Imperador Gaozong, levou o território a atingir sua maior extensão histórica, formalizou o Budismo e o Taoísmo como pilares do Estado e ordenou a construção do Mausoléu de Qianling. Nessa época, a capital Xi’an era a maior metrópole do mundo, com mais de 1 milhão de habitantes, incluindo estrangeiros da Pérsia, Coreia, Japão e Índia. Em 651, seguindo o pai, recebeu o Islão na China após a chegadade Sa’d ibn Abi Waqqas, tio materno do profeta Maomé e embaixador do do Califa Uthman. Gaozong e sua esposa, Wu Zetian, construíram uma das maiores esculturas das Grutas de Longmen em Luoyang e expandiram o Grande Pagode do Ganso Selvagem em Xi’An.
683–705
Após Gaozong abdicar em 683, Wu Zetian governou por meio de dois filhos, levando um terceiro ao suicídio, até se tornar a única mulher a reinar oficialmente a China (690-705). Ao se tornar Imperatriz, fundou a Dinastia Wu Zhou, que brevemente interrompeu a Tang, e tornou os exames imperiais a única forma de ascensão social. Em Luoyang, consagrada sua capital divina, foram encontrados as ruínas do seu Palácio de Mingtang e Tiantang. É dela também a notória Estela Sem Inscrições (Wuzi Bei) em Qianling, onde está enterrada com o marido e outros familiares. Em 705, o ex-Imperador Zhongzong, primeiro filho que ela fez de fantoche, derrubou a mãe do poder. Embora sua tumba não seja em Qianling, as tumbas de seus filhos e netos de Wu Zetian, por ela assassinados e lá enterrados, possuíam murais espetaculares.


705–906
A partir do século 8, embora restaurada a Dinastia Tang, mantiveram-se as intensas disputas de poder, resultando em diversos imperadores com mandatos curtos. Entre eles, o Imperador Xuanzong (712–756) não só foi o mais duradouro, como o ápice da poesia e das artes, com poetas como Li Bai (701-762), famoso pelo lirismo e paixão pelo vinho, e Du Fu (712-770), conhecido por seus versos realistas sobre a guerra e a injustiça; além de belíssimas pinturas de artistas muitas vezes não identificados. Neste período, a corte Tang também impressionava por seus artifícios e inveções, como automatons que simulavam pessoas e animais. Na década de 750, o Imperador Xuanzong passou a negligenciar o reino para focar em sua concubina favorita. Essa desatenção se tornou uma oportunidade para a Rebelião de An Lushan (755-763), que abalou o domínio Tang e fragmentou, de forma irreparável, a estrutura do poder. O fortalecimento de senhores de guerra regionais não impediu, porém, o florescimento da cultura e tecnologia. Em 780, o Cha Jing, escrito pelo mestre Lu Yua, consolidou a cultura do chá na China, ensinando o cultivo e outras tradições para além do uso medicinal. O Grande Salão do Buda no Templo Nanchan, construído em 782, hoje representa a construção de madeira mais antiga da China ainda preservada. No século 9, duas invenções revolucionárias surgiram na China: a impressão em blocos de madeira, que tem no Sutra do Diamante (868) o exemplar mais antigos que conhecemos desta tecnologia; e a criação da pólvora, usada em fogos de artifício, armas e medicina. Embora toda essa efervescência, ameaças constantes de diversos inimigos marcavam o cotidiano, com cidades muradas e controladas por toques de recolher. Além disso, desastres naturais contribuíram para a insatisfação popular, que eclodiu na Revolta Huang Chao (874–884). Em 907, o último imperador Tang foi forçado a abdicar por um de seus rivais regionais, pondo um fim definitivo à dinastia.
907–960
O período das Cinco Dinastias e Dez Reinos foi outra fase de profunda fragmentação e conflito na China, concomitante à Dinastia Liao. No Norte, as chamadas “Cinco Dinastias” se sucederam com uma duração média de uma década: Liang Posterior (907–923); Tang Posterior (923–936); Jin Posterior (936–947); Han Posterior (947–951) Zhou Posterior (951–960). Já no Sul, o período foi de maior estabilidade, com os “Dez Reinos” convivendo em relativa paz. Eram eles: os reinos de Wu, Tang do Sul, Wuyue e Jingnan (Nanping), todos no entorno do rio Yangtzé; Min e Chu, localizados no sudeste e sul central; Han do Sul e Han do Norte, que tinham soberanias regionais distintas, sendo o último o único dos reinos situado no norte; e Shu Anterior e Shu Posterior, em Sichuan. Esse período marcou o deslocamento do centro econômico, cultural e populacional da China, do vale do Rio Amarelo para o delta do rio Yangtzé. As cidades Sul, que gozavam de segurança, viram florescer o comércio e os mercados noturnos: o início da intensa vida urbana que marcaria a Dinastia Song por vir. Além da difusão de tecnologias criadas no final da Dinastia Tang, como a impressão em blocos de madeira e a pólvora, o período viu uma explosão cultural, com destaque para finas cerâmicas cor de jade; os estilos distintos de pinturas de paisagens no Norte e no Sul; a evolução da poesia Ci de uma tradição folk/popular para uma forma de belas artes com o imperador-poeta Li Yu de Tang Posterior; a pintura icônica “Festas Noturnas de Han Xizai“, de Gu HongZhong, da mesma dinastia e da qual só existem cópias; e artefatos e tesouros de alta sofisticação.


Imagem: Donyo Travel.
916–1125
Enquanto isso, o povo nômade Khitan estabeleceu a Dinastia Liao no nordeste da China. Em 907, com a queda da Dinastia Tang, o governante Abaoji se autoproclamou Khaghan (“Grande Khan”) da confederação Khitan. A capital principal do império, mais ao norte, era Shangjing, da qual só restam ruínas e uma pagoda; e a capital secundária e mais rica ao sul, Nanjing, atual cidade de Beijing. Ao longo da próxima década, eles adotaram títulos chineses para si e para a dinastia; e, no auge, dominavam a Manchúria, partes da Planície do Norte da China, o Planalto da Mongólia, a parte norte da Península Coreana e partes meridionais da Sibéria. Durante esse período, a fusão cultural resultou na adoção fervorosa do Budismo e no desenvolvimento de dois sistemas de escrita com base no Hanzi, a Grande e a Pequena Escrita Khitan (920/925). A escrita, que caiu em desuso junto com o fim da dinastia, influenciou o povo Tangut (na Dinastia Xi Xia) e serviu de modelo direto para o surgimento da escrita do povo Jurchen (na segunda Dinastia Jin). Entre seus principais legados, está a absorção e sofisticação do sistema construtivo de encaixes Duogong, que emergiu entre artesãos chineses provavelmente na Dinastia Zhou Ocidental e foi disseminado no Período das Primaveras e Outonos. De Liao, estão de pé o Pavilhão Guanyin no Templo Dule, em Tianjin (984) e a impressionante Pagoda do Templo Fogong (1056). Outro achado impressionante, foi a tumba de Zhang Wenzao, sepultado em 1048 e descoberto em 1993, com decorações e artefatos intocados. Meio século depois, em 1115, seu controle do Norte passou a ser ameaçado pelo povo Jurchen, da Manchúria, que se rebelou e, em uma década, pôs fim à Dinastia Liao.
960-1279
Fundada pelo general Zhao Kuangyin, que liderou uma rebelião vitoriosa contra a enfraquecida dinastia Zhou Posterior, a Dinastia Song é dividida em duas fases. Na primeira, Song do Norte (960–1127), Kuangyin assumiu como o Imperador Taizu, escolheu Kaifeng como capital e restaurou o sistema de exames imperiais, entregando o controle administrativo à burocratas civis intelectuais. Os Song estabeleceram o sistema de bem-estar social mais avançado, abrangente e institucionalizado do mundo medieval. O Estado assumiu a responsabilidade direta e legal de cuidar de idosos, órfãos, doentes e indigentes, financiando esses serviços com o orçamento imperial e impostos locais (sim, haviam asilos, creches, hospitais e cemitérios públicos e gratuitos). A vida cultural também floresceu rapidamente, com grandes inovações como a imprensa de tipos móveis de argila, inventada pelo artesão Bi Sheng (c. 1040); o uso militar da pólvora foi manualizado e difundido (1040–1044); a bússola magnética foi aprimorada para navegação marítima (1111–1117); e o primeiro papel-moeda do mundo (Jiaozi) passou a ser emitido oficialmente pelo governo (c. 1120), substituindo as pesadas moedas de ferro e bronze. Em 1127, porém, a capital foi invadida por guerreiros Jurchen, que capturaram o Imperador Qinzong e seu pai, o ex-imperador Huizong, no trágico “Incidente de Jingkang“. A invasão levou à fuga de parte da corte imperial, incluindo um herdeiros da linhagem, Zhao Gou, que se reestabeleceu como Imperador Gaozong em Hangzhou, iniciando o período Song do Sul (1127–1279). O êxodo de povos Han e de outras etnias menores em direção ao Sul da China nesse período também produziu outro resultado marcante: os famosos Tulou, “casas-forte” da região de Fujian que aparecem no desenho Mulan, criados pelo povo conhecido como Hakka (“estrangeiros”). Com um território reduzido sob seu controle, a corte Song coexistiu com outros reinos, como o Liao (até 1125), Tangute (até 1227) e os próprios Jurchen (até 1234), ao Norte; e Dali (povo Bai) e cacicados de povos como Miao, Zhuang e outros nas regiões de Guizhou e Guangxi, à Oeste. Embora a Dinastia Song nunca tenha controlado toda a extensão territorial da China histórica, ela é considerada uma “Era de Ouro”. Alguns anos depois de se juntar aos mongóis para derrotar os Jin, acabaram eles mesmos sendo derrotados por Kublai Khan, fundador da Dinastia Yuan, na Batalha de Yamen.


1038-1227
No noroeste da China, na borda com o deserto, o povo Tangute resistiu a expansão da Dinastia Liao, se unificando em 1038 sob o líder Li Yuanhao. Fundador do Império Tangute ou a Dinastia Xia Ociental (Xi Xia), assumiu como Imperador Jingzong e passou a controlar a Rota da Seda, enfrentando constantes pressões das Dinastias Liao e Song. Durante quase 200 anos, a cultura Tangute floresceu, com destaque para a criação de seu sistema de escrita (1036), um dos mais complexos da humanidade; a rápida adoção e sofisticação da prensa de tipos móveis, resultando nos registros mais antigos dessa tecnologia no mundo, como Tantra Auspicioso da União de Todo o Alcance (1141-1189); suas técnicas de metalurgia, cujas espadas e armaduras eram famosas na Ásia, rendendo aos seus guerreiros o apelido de “Falcões de Ferro“; seu código de leis civis e criminais, consideradas as mais detalhadas da época; sua adoção do Budismo, com restaurações e expansões das Grutas de Mogao e Yulin; e as tumbas de seus imperadores, conhecidas como “Pirâmides de Ningxia“, que foram encontradas nos arredores de Yinchuan. Em 1227, o império foi alvo da fúria de Gengis Khan após se recusar a enviar guerreiros para sua campanha na Pérsia, se tornando o primeiro estado a ser conquistado pelo guerreiro mongol. Além da destruição total da capital, o massacre do povo Tangute foi tão devastador que quase extinguiu a cultura e o apagou da história.
1115–1234
No outro lado da China, nas florestas da Manchúria, próximas ao Mar do Japão, o povo Jurchen também ressentia a Dinastia Liao por obrigá-los a entregar falcões de caça raros (Gyrfalcons), pérolas, peles e, crucialmente, mulheres Jurchen como concubinas. Entre 1115 e 1125, o líder tribal Wanyan Aguda unificou os clãs e derrubou Liao, tomando a capital Shangjing. Seguindo a estratégia comum entre “forasteiros”, Wanyan adotou títulos e nomes chineses, fundando o Império Jurchen como Imperador Taizu da Dinastia Jin (a segunda). Em 1127, ele seguiu sua campanha com o saque da capital da Dinastia Song, Kaifeng, capturando a corte Song no “Incidente de Jingkang” e resultando na fuga e fundação da Dinastia Song do Sul. Em 1153, tornaram Beijing, então Yanjing/Zhongdu, a capital do império. A experiência imperial rendeu aos Jurchen um sistema de escrita que, tal qual o Tangute, articulou caracteres chineses aos fonemas e regras da sua língua nativa. Como legados, impulsionaram o teatro no formato Zaju (comédia de variedades) e estabeleceram as fundações da famosa Ópera de Pequim; sofisticaram conhecimentos e formações em medicina, sobretudo práticas de acupuntura e farmacológicas; e criaram seu próprio estilo cerâmico, Cizhou, popular por suas “almofadas” tridimensionais e decoradas. Em 1214, já sob ameaças de invasão por Gengis Khan, os Jin foram forçados a fugir, resistindo por mais duas décadas em Kaifeng, de onde haviam expulsado os Song. Foram finalmente derrotados em 1234, contra uma aliança entre o Império Mongol, já sob Oguedai Khan, e a Dinastia Song do Sul. Os Jurchen/Jin são ancestrais diretos dos Manchus, que fundariam, quatro séculos mais tarde, a última dinastia da China.


1234-1368
Após varrer boa parte da Ásia, dominando o território entre o Mar Cáspio e o Pacífico, dos estepes aos Himalaias, a campanha iniciada por Gengis Khan e continuada por seus descendentes diretos chegou a um limite. Em 1259, já na geração dos netos, uma disputa interna resultou na vitória de Kublai Khan, mas na fragmentação do Império Mongol. Kublai priorizou a conquista da China, na qual ordenou ao arquiteto-chefe chinês Liu Bingzhong a construção, a partir de 1267, de uma grande cidade planejada a nordeste das ruínas da antiga capital Jin. Em 1271, Kublai fundou a Dinastia Yuan e escolheu como capital a cidade inacabada, então chamada Dadu ou Daidu, iniciando a construção do palácio principal em 1274. Após derrotar os Song em 1279, assegurou o controle definitivo de todo o território e instaurou um sistema de quatro castas, cuja hierarquia posicionava mongóis no topo, seguidos de estrangeiros (Semu), chineses do Norte e chineses do Sul. O domínio estrangeiro e o influxo de viajantes, que incluíram o veneziano Marco Polo em sua notória viagem (1275-1292), também impulsionou um período de diversidade cultural, religiosa e étnica. Sua capital, concluída em 1293, tornou-se a base para a atual cidade de Beijing, tanto em seu eixo central, com a Cidade Proibida no centro, quanto os hutongs que se formaram ao seu redor. Além de criar e consolidar o centro do poder político da China que se mantém até hoje, os mongóis foram responsáveis por criar ou provocar o surgimento de novos ícones culturais chineses. Um deles, que se tornou mundialmente famoso na dinastia seguinte, é a porcelana azul e branca, como os famosos Vasos de David. Neste período, avanços na astronomia, liderados por Guo Shoujing, instalaram instrumentos monumentais em Beijing e calcularam o calendário solar Shoushi, com 365 dias, séculos antes do calendário gregoriano da Europa. Excluídos dos tradicionais cargos públicos, os intelectuais chineses se dedicaram às artes, criando obras-primas da ópera e do teatro Zaju, além de pinturas que encontraram na natureza suas principais referências para seus protestos silenciosos e resistência cultural. O período consagrou quatro mestres da pintura literati: Huang Gongwang (1269–1354), pintor de “Habitando nas Montanhas Fuchun” (1350), um dos pergaminhos de paisagem mais reverenciados da China; Ni Zan (1301–1374), famoso pelo minimalismo e austeridade, incluindo imagens de pavilhões vazios e do bambu, símbolo cultural na era Yuan por se curvar diante do vento (o domínio mongol), sem quebrar; Wang Meng (1308–1385), conhecido por composições densas, dinâmicas e texturas complexas e vibrantes emaranhadas de vegetação e rochas; e Wu Zhen (1280–1354), que se inspirou em mestres antigos para criar pinturas expressivas com pinceladas amplas e úmidas. Outro pintor da época, Zhao Mengfu, se destacou entre os raros chineses que aceitaram trabalhar para os Khan, famoso por seus cavalos e pelas técnicas Tang que remetiam ao esplendor da cultura chinesa. Embora tenham gozado de certa prosperidade, a dinastia entrou em uma crise econômica, agravada por grandes enchentes e secas na bacia do rio Amarelo. A partir de 1330, a adoção de medidas repressivas contra etnias chinesas serviu de estopim para a Revolta dos Turbantes Vermelhos, que se arrastaria por três décadas, desdobrando-se em conflitos internos entre seus generais vitoriosos. Enquanto lutavam no Sul, a Dinastia Yuan se agarrava do seu domínio no Norte, até que em 1368, as tropas do camponês Zhu Yuanzhang invadiram Beijing e expulsaram os mongóis para as estepes, iniciando a Dinastia Ming.
1352-1367
A ascensão de Zhu Yuanzhang ao trono imperial chinês é uma das “jornadas do herói” mais incríveis da história mundial. Nascido na região de Anhui, em uma família de camponeses pobre e dizimada, Zhu passou anos treinando e mendigando como monge budista, se juntou à Rebelião dos Turbantes Vermelhos e gradualmente se tornou um dos maiores líderes da China. Cercado de intelectuais confucionistas e generais de guerra habilidosos, Zhu forjou seu poder ao longo de 15 anos, durante os quais consolidou o domínio absoluto do Sul da China, de Sichuan ao Pacífico. Embora tenha passado mais de uma década lutando em guerras contra antigos aliados e mongóis, Zhu se tornou conhecido por sua postura justa com os inimigos e pela defesa do povo, tanto de inimigos, quanto de seus próprios militares e elite. Sua vitória decisiva veio em 1368, quando se proclamou o Imperador Hongwu da Dinastia Ming e expulsou os mongóis de Beijing.


1368-1644
Após Tang e Song, a Dinastia Ming foi a última “Era de Ouro” da história imperial chinesa. Escolhendo Nanquim como capital, o Imperado Hongwu unificou todo o território da China (1368–1382), incluindo regiões remotas como Yunnan e Gansu, reestabeleceu o Guozijian e exames imperiais (1368–1385), garantiu o abastecimento agrícola com obras de irrigação e infrasestrutura, e publicou o “Grande Código Ming“, com duras leis criminais. Após centralizar todo o poder na mão do imperador, abolindo o cargo de “primeiro ministro”, e perder o filho que escolheu como herdeiro, Hongwu proclamou seu neto, Imperador Jianwen, como sucessor. Porém, quando Hongwu morreu em 1398, seu quarto filho, Zhu Di, mobilizou uma guerra civil contra o sobrinho, conhecida como a “Campanha de Jingnan” (1399–1402). É neste contexto que o eixo do poder se desloca novamente para o Norte do país. Vitorioso, Zhu Di ascendeu ao trono como o Imperador Yongle e iniciou ambiciosos projetos construtivos, como a construção da Cidade Proibida (1407–1420), que resultou na mudança definitiva da capital para Beijing (1421), assim rebatizada; e a reconstrução, extensão e reforço com pedra da Grande Muralha, que seria um esforço contínuo da dinastia. Outros notáveis legados do início de seu reino foi a Enciclopédia Yongle, compilada a partir de 1403 e considerada maior obra do tipo em papel do mundo; e as navegações marítimas de Zheng He (1405–1433), que comandou sete expedições com “Navios do Tesouro”, alcançando o Sudeste Asiático, a Índia, o Golfo Pérsico e a África Oriental, décadas antes dos europeus. Embora a dinastia fosse profundamente militarizada, notável por suas inovações bélicas e pela escala de suas forças armadas, também são conhecidos por sua influência e esplendor cultural. Esse campo, além da invenção da escova de dente (1490), viu a consolidação e popularização do romance vernacular chinês, que quebrou com modelos clássicos, com os pioneiros Romance dos Três Reinos (c. 1330–1400) e Margem da Água (c. 1368), seguidos de Jornada ao Oeste (c. 1570–1592); o surgimento das escolas de pintura Zhe (oficial) e Wu (independente); e introduziu a policromia na impressão em massa. Produtos como seda, porcelana branca e azul, chá, laca e outros tinham tamanha demanda global que, no século 16, mais de um terço de toda a prata minerada nas Américas pelos europeus acabou fluindo diretamente para os cofres Ming. Cidades fortificadas como Pingyao, foram construídas neste período, cuja arquitetura é a maior sobrevivente das antigas dinastias. Nos séculos 16 e 17, a Dinastia Ming entraria num lento processo de enfraquecimento graças à imperadores imprudentes e/ou negligentes, enquanto o povo Manchu se fortalecia à nordeste de Beijing. Na década de 1630, outro desastre natural — desta vez uma “Mini Era do Gelo” — teve novamente um papel decisivo, abrindo caminho para revoltas camponeses lideradas por Li Zicheng, que rendeu Beijing em 1644. Enquanto isso, um exército estrangeiro em campanha à Oeste e ao Sul buscava uma forma de superar a Grande Muralha. Desesperado para derrotar seus inimigos internos, um general Ming deixou o exército passar, selando o fim do seu próprio regime. Descendentes dos Jurchen, tratava-se do povo Manchu, que fundaria a última dinastia da China.
1644-1839
Quando os Manchus tomaram Beijing em 1644, numa rara oportunidade histórica, eles já haviam fundado a Dinastia Qing, controlando a Mongólia Interior e a Península Coreana, além de sua terra natal da Manchúria. Em seu período de maior estabilidade (1683-1799), que abrange os reinados dos Imperadores Kangxi, Yongzheng e Qianlong, os Qing consolidaram fronteiras muito próximas às atuais. No entanto, foi a sua tentativa de frear o contato com o Ocidente, restringindo navios europeus à Guangzhou em 1757, que marcou o início do fim da dinastia. No raiar do século 19, estima-se que 450 milhões de pessoas viviam na China, que concentrava 1/3 da população do mundo e da sua riqueza. A partir de 1793, os ingleses começaram a pressionar o Imperador Qianlong a adquirir bens industriais, equilibrando a balança comercial. Recusados, iniciaram uma campanha sorrateira contra os chineses, baseada na indução à dependência em ópio e outras falcatruas. Em 1799, com a morte do Imperado Qianlong e de seu sucessor em 1820, a escalada de tensões entre chineses e ingleses levou à 1ª Guerra do Ópio (1839-1842), marcando o início do chamado Século da Humilhação (1839-1895).
Fenghuang ancient town


1839-1895
Após perder a 1ª Guerra do Ópio (1839-1842), a Dinastia Qing, sob o Imperador Daoguang, seguiu sofrendo derrotas de revoltas civis e forças estrangeiras no chamado Século da Humilhação (1839-1895). Internamente, embora os Qing tivessem equilibrado coerção com respeito ou diplomacia, a persistente crise econômica e imposições à população chinesa (Han) — como o estilo de cabelo Queue e a vestimenta Qizhuang, com suas túnicas típicas (Qipao) — geravam profundos ressentimentos. Após a morte de Daoguang em 1850, a Rebelião de Taiping (1850–1864) submergiu o país em conflito longo e violento que matou, segundo estimativas, 40 milhões de pessoas. Durante o conflito, a eclosão da 2ª Guerra do Ópio (1856–1860), na qual a China foi novamente derrotada e obrigada a ceder territórios a países como França e Estados Unidos, levaram o país ao limite. O Imperador Xianfeng, que herdou o trono aos 19 anos e era viciado em ópio, morreu em 1861, aos 30 anos de idade, por complicações de saúde. Seu único filho único, que tinha apenas 5 anos, se tornou o Imperador Tongzhi, tornando sua mãe a Imperatiz Cixi e governante de facto da China. Ocorre que Cixi era do clã Yehe Nara, rival do clã que unificou o povo Jurchen/Manchu e depois fundou a Dinastia Qing. Em 1619, quando seu antepassado Gin Taisi foi capturado e morto pelos Qing por resistir, ele teria dito: “Mesmo que reste apenas uma única filha no clã Yehe Nara, nós destruiremos o clã Aisin Gioro!” Durante séculos, os Qing evitaram ao máximo a presença de mulheres Yehe Nara entre as concubinas do imperador, mas havia chegado a hora da profecia se concretizar. Em 1875, quando seu filho Tongzhi também faleceu prematuramente de catapora aos 18 anos, Cixi adotou o sobrinho, com então 2 anos, para garantir que seguiria reinando em seu lugar. Quando finalmente atingiu a maioridade em 1889, o Imperador Guangxu assumiu uma China em frangalhos. Não deu nem tempo de arrumar nada, pois alguns anos mais tarde, ele seria obrigado a lutar a 1ª Guerra Sino-Japonesa (1894-1895), perdendo territórios e sofrendo novas humilhações. No final do século 19, Inglaterra, França, Rússia, Alemanha, Itália, Áustria-Hungria, Bélgica, Portugal, Estados Unidos e Japão possuíam concessões, administravam ou arrendavam territórios na China.
1895–1912
Chocado com sua derrota na 1ª Guerra Sino-Japonesa, o jovem Imperador Guangxu promoveu a “Reforma dos Cem Dias” a partir de junho de 1898, na tentativa de modernizar o país às pressas, sob a influência de intelectuais progressistas. Em setembro, com medo de perder o controle em meio às rápidas mudanças internas e externas, a Imperatriz Cixi orquestrou um golpe político contra o sobrinho, colocando-o em prisão domiciliar e anulando seus decretos com apoio de alguns militares, como o general Yuan Shikai. As disputas internas da Cidade Proibida se tornaram uma oportunidade para a Sociedade dos Punhos Justos e Harmoniosos, grupo secreto formado por chineses anti-imperialistas revoltados com as humilhações e as influências ocidentais. Em 1899, eles iniciaram sua revolta, apelidada de “Rebelião Boxer“, que passou a atacar estrangeiros e cristãos ao redor do país. Desesperada, Cixi encontrou afinidades conservadoras com o movimento e decidiu “apoiá-los”, colocando a China numa situação impossível ao declarar guerra contra todas as forças estrangeiras. A derrota fulminante veio em 1901, com a assinatura do “Protocolo Boxer”, que obrigava os Qing a pagar, por muitos anos, mais do dobro do que arrecadavam anualmente de impostos. Com a Dinastia Qing por um fio, Sun Yat-sen, um rebelde exilado pelos Qing após revoltas fracassadas, começou a angariar apoiadores de fora da China. Educado no Havaí e convertido ao cristianismo, Yat-sen desembarcou no Japão em 1905 para tentar articular golpe mais de perto. Em novembro de 1908, a Imperatriz Cixi, que enfrentava uma doença, apontou seu sobrinho-neto de 2 anos, Pu Yi, como o próximo imperador. Misteriosamente, o Imperador Guangxu, que ainda estava aprisionado, morreu no dia seguinte aos 37 anos. Cixi, porém, o seguiu, meras 22 horas depois, tornando Pu Yi o único e último herdeiro da Dinastia Qing. Sob a regência de seu pai, Príncipe Chun, os Qing resistiriam mais quatro anos, até a eclosão da Revolta de Wuchang em 1911, iniciando a Revolução Xinhai (1911-1912). O general Shikai, afastado por sua lealdade à Cixi, foi chamado de volta e assumiu efetivamente o poder. O Príncipe então renunciou e foi substituído por sua cunhada, madrasta de Puyi. Os revoltosos, porém, já haviam tomado a antiga capital de Nanquim e a região de Hubei, espalhando-se rapidamente do Sul até próximo à Beijing.


Era Republicana
da guerra total e constante à vitória do comunismo

1912–1927
Na chamada Era Republicana e dos Senhores da Guerra, que ocorrem ao mesmo tempo, a China tentou se modernizar enquanto ainda estava imersa no caos. Durante décadas, a principal oposição à Dinastia Qing, Sun Yat-sen, havia defendido os princípios de Nacionalismo, Democracia e Bem-Estar do Povo. Após a Rebelião Wuchang tomar Nanquim em 1911 e proclamar a República da China (ROC) em 1912, Yat-sen assumiu a Presidência do Governo Provisório e iniciou os trabalhos constitucionais. A Dinastia Qing, porém, ainda resistia em Beijing e arredores com apoio do seu principal general, Yuan Shikai. Para evitar mais mortes e garantir a unificação da China, Yat-sen propõe a Shikai que, se ele convencesse os Qing a abdicar, Shikai poderia assumir a Presidência. Como Puyi só tinha 6 anos na época, sua madrasta abdicou em seu nome. (Puyi seguiria vivendo na Cidade Proibida até 1924, quando completou 18 anos e foi forçado a sair, se exilando no Japão.) Yat-sen cumpre sua promessa e passa a faixa da Presidência para Shikai. Quatro dias depois, a Constituição Provisória da República é promulgada para limitar o poder presidencial e criando o cargo de primeiro ministro. Alguns meses depois, Yat-sen fundou o Partido Nacionalista da China, ou Kuomitang (KMT) e começou a se preparar para disputar a primeira e única eleição direta e popular da história da China (mesmo que só cerca de 5% da população estivesse apta a votar). Em 1913, após uma vitória eleitoral massiva, Song Jiaoren, líder do KMT que assumiria como primeiro ministro, foi assassinado. Com fortes indícios de que o mandante havia sido Shikai, Yat-sen lançou outra rebelião, rapidamente derrotada, forçando seu exílio. Durante a 1ª Guerra Mundial (1914–1918), a China havia ficado ao lado dos “Aliados” e, embora Shikai tenha morrido (naturalmente) em 1916, no meio do conflito, os chineses esperavam reparações e a devolução de alguns de seus territórios. No fim da guerra, enquanto o país estava à beira do caos, na chamada Era dos Senhores da Guerra, os Aliados descumpriram suas promessas e revoltaram profundamente os chineses. à esta altura, com a uma modernização parcial e desorganizada, uma das principais forças organizadas do período eram os estudantes em grandes centros urbanos. Em 1919, são eles que organizam o Movimento 4 de Maio contra todo tipo de imperialismo e a favor da revolução cultural e intelectual chinesa. Desiludidos com o liberalismo ocidental e inspirados pela Revolução Russa de 1917, um grupo de chineses, incluindo Mao Tsé-Tung fundaram o Partido Comunista Chinês (CPP) e passaram a receber apoio financeiro e militar e dos soviéticos. Em 1923, enquanto os cliques militares dominavam regionalmente boa parte da China, comunistas e nacionalistas se uniram brevemente para tentar controlar o país. Dois anos depois, enquanto planejavam e treinavam, Yat-sen morreu, abrindo caminho para um militar até então responsável por treinar as tropas do Exército Revolucionário Nacional: Chiang Kai-shek. Apostando no poderio militar e em alianças estratégicas com alguns senhores regionais, Kai-shek liderou o KMT em uma ofensiva contra os senhores inimigos entre 1926 e 1927, avançando para o Norte, em direção à Beijing. Enquanto isso, o Exército Vermelho, dos comunistas, avançaram para o Leste, em direção à Xangai. Quando adentraram a cidade, porém, era uma armadilha de Kai-shek: aliado ao líder da máfia local (Tríade/Gangue Verde), o nacionalista ordenou um massacre dos comunistas. A traição se desdobrou em uma campanha de perseguição e assassinatos de comunistas conhecida como o “Terror Branco“. Este conflito entre antigos aliados, que se tornaria a Guerra Civil Chinesa (1927–1937 e 1946–1949), se concentrou na costa Leste, enquanto Senhores de Guerra continuaram a dominar muitas partes do país. Ainda em 1927, Mao tentou reagir, liderando a Revolta da Colheita de Outono, mas foi derrotado pelo KMT.
1927–1937
Conhecida como a Década Nacionalista ou Década de Nanquim, em referência ao relativo domínio do KMT, tratou-se, na verdade, de outros 10 anos de conflitos internos. Em 1928, Chiang Kai-shek finalmente havia assegurado o poder sobre o leste da China, sediando sua capital em Nanquim. No ano seguinte, porém, quando tentou reduzir o seu gigantesco Exército Revolucionário Nacional, alguns generais reagiram com conflito armado (1929-1930). O KMT então promoveu reformas sociais, econômicas e culturais, como o “Movimento da Nova Vida“, mas que foram insuficientes para melhorar a vida da população. Em 1931, além de enchentes catastróficas que mataram milhões, o governo de Kai-shek precisou lidar com a invasão da Manchúria pelo Japão, que forjou um ataque contra seus próprios trens na região para justificar a ofensiva. Criado o estado-fantoche de Manchukuo, os japoneses colocaram Pu Yi, no poder. Kai-shek, porém, preferiu não reagir: estava mais preocupado com os comunistas que escaparam a sua perseguição e se fortaleciam em regiões relativamente autônomas no sudoeste da China. A maior e mais bem sucedida delas era Jiangxi Soviet, liderada por Mao Tsé-Tung e centrada em Ruijin, entre as províncias de Jiangxi, Guandong e Fujian. O CCP, porém, não gostava das perseguições internas promovidas por Mao e o isolavam do poder partidário. Sob a mira do KMT, Jiangxi Soviet sofreu quatro incursões do Exército Revolucionário Nacional (ERN) entre 1931 e 1934, resistindo a todas com apoio das demais tropas do Exército de Libertação Popular (ELP). Nesse contexto, porém, o KMT assassinou a esposa de Mao e, no quinto cerco, conseguiu dispersar todas as forças comunistas. Sem muitas opções, Mao e os demais sobreviventes se lançaram em direção ao Oeste. A Longa Marcha (1934–1935) percorreu 6,000-mile, atravessando as províncias de Guizhou, Yunnan, Sichuan, Gansu até Shaanxi, onde apenas um décimo dos participantes chegou com vida. Embora trágica, a marcha consolidou a liderança de Mao sobre o CCP e se tornou o grande mito fundador do governo comunista que surgiria no fim da década seguinte. Por ora, a reunião de forças comunistas em Shaanxi foi o suficiente para levar Chiang Kai-shek até Xi’An em 1936, para mobilizar o general local que era seu aliado. Ele só não sabia que o amigo, revoltado com a inação perante os japoneses, tinha armado uma emboscada com os comunistas. O “Incidente de Xi’An”, porém, não foi violento: a ideia era apenas forçar Kai-shek a entrar numa aliança temporária contra o Japão. Enquanto esses conflitos desenrolavam, o casal de arquiteteos Liang Sicheng e Lin Huiyin percorreu o interior da China mapeando seus principais bens arquitetônicos, no que se tornaria um dos maiores estudos do tipo do país (1932-1937).


1937–1945
Na história da China, a 2ª Guerra Sino-Japonesa (1937–1945) e a 2ª Guerra Mundial (1939–1945) são, efetivamente, apenas partes da mesma guerra. Diferente da 1ª Guerra Sino-Japonesa (1894-1895), o estopim desta vez foi artimanha dos chineses. Conhecido como “Incidente de Lugouqiao”, tropas nacionalistas provocaram os japoneses nesta ponte eternizada nas descrições de Marco Polo e deram início ao conflito. O Japão, porém, rapidamente avançou sobre novos territórios, tomando a cidade de Beijing. Nesta época, Xangai era a maior cidade da China e estava sob um governo sui generis e cosmopolita, compartilhado por 14 nações, incluindo o Japão. Com isso em mente, Kai-shek decidiu atacar a cidade, na esperança de diluir o inimigo em duas frentes e dar visibilidade internacional ao conflito. O KMT, porém, sofreu grandes perdas, levando um batalhão isolado a protagonizar um episódio icônico de valentia, virando a opinião pública global contra os japoneses. Indiferente, o Japão dobrou a aposta e invadiu a capital nacionalista, causando o chamado “Massacre de Nanquim“, na virada para o ano de 1938. Empregando estupro, armas químicas e mortes cruéis como armas de guerra, o Japão estreitou relações com a Alemanha Nazista, que até então ajudava os dois lados. Sem apoio prático de nenhum aliado estrangeiro, Kai-shek fez outra manobra com altíssimos custos para a população civil, explodindo barragens do rio Amarelo e causando enxurradas e inundações mortais para a população, mas sem grandes consequências para os japoneses. Com Beijing, Xangai, Nanquim e Wuhan dominados, o KMT retrai para Chongqing e perde grande parte da sua influência. Para piorar a situação, em 1939, a eclosão da 2ª Guerra Mundial desviou a atenção dos soviéticos da Manchúria para a Europa, abrindo ainda mais o caminho para os japoneses. Em 1941, quando tudo parecia perdido, veio a reviravolta, totalmente por erros do próprio Japão. A primeira medida, ainda tímida, foi o embargo de petróleo imposto a eles pelos europeus, temerosos com o avanço japonês sobre o Sudeste Asiático. Em dezembro do mesmo ano, quando atacou Pearl Harbor, o Japão selou seu destino trágico, iniciando investimentos massivos dos EUA na China. Em 1944, embora a “Operação Ichi-Go” tenha marcado o auge da ocupação japonesa da China, em poucos meses, os EUA e a Rússia lançaram ataques definitivos contra o Império do Sol, pondo fim à guerra no Teatro do Pacífico. Enquanto os soviéticos retomaram a Manchúria, os americanos bombardearam Hiroshima e Nagazaki. Durante todo esse tempo, os comunistas, isolados do KMT, haviam resistido à ocupação japonesa com técnicas guerrilheiras em várias partes do Norte. Mas com a derrota definitiva dos japoneses por forças externas, que agora priorizavam a reconstrução da Europa, deixou um vácuo de poder na China — mesmo que só por alguns minutos.
1945–1949
Em 1946, com a retração total dos japoneses e tentativas fúteis de negociação, o CCP e o KMT voltam à guerra civil (“o céu não pode ter dois sóis”, teria dito Kai-shek). Quando a 2ª Guerra Mundial acabou, no ano anterior, os comunistas dominavam o Norte, com partes de Shaanxi e Shandong, enquanto os nacionalistas tinha, em tese, o resto do território. À essa altura, porém, os comunistas gozavam de amplo suporte popular, graças às reformas agrárias e aos ressentimentos contra os nacionalistas. A guerra se arrastou por 4 anos, culminando com o exílio de Chiang Kai-shek e o remanescente da cúpula do KMT em Taipé e com a proclamação da República Popular da China por Mao em 1º de outubro de 1949.


República Popular da China
da Era Mao à construção da China atual

Imagem: Chinese Posters.

Imagem: Hachette Magazine.

1949–1953
PRIMEIROS ATOS
Em 1º de outubro de 1949, aos 55 anos de idade, Mao Tsé-Tung estabeleceu a República Popular da China (RPC), marcando o início da era atual. O novo regime é uma Ditadura Democrática do Povo, em que, na prática, CCP, Governo e Estado se confundem. A estrutura básica e hierárquica é baseada no Comitê Central, com centenas de membros (hoje são 205), no Birô Político, hoje com 24 membros, e no Comitê Permanente do Birô Político a elite do poder (hoje são 7 membros). Além de Mao, seu mentor-tornado-seguidor Zhou Enlai também integrava o primeiro Comitê Permanente. À essa altura, porém, o mundo estava em plena Guerra Fria (1947-1991) e o Ocidente se recusou a reconhecer a PRC, apoiando Chiang Kai-shek e KMT em Taiwan. Mao, então, viajou imediatamente à Rússia, onde passou três meses estreitando as relações com Josef Stalin e voltou com o Tratado da Amizade, Aliança e Assistência Mútua (1950). Paralelamente, ordenou o ELP a reconquistar as regiões de Xinjiang e do Tibete (1949-1951), cujo controle a China havia perdido durante a Era Republicana, mas poupou a Mongólia, que havia passado ao domínio da União Soviética. Em outras duas frentes no mesmo período, Mao promoveu uma profunda reforma agrária (1950-1953) e envolveu a China de forma sorrateira na Guerra da Coréia (1950-1953). Na frente agrícola, perseguiu mais de 1 milhão de “senhores de terras” (antigos “senhores de guerra”), com humilhações públicas, julgamentos, prisões e execuções, redistribuindo terra pela primeira vez para 300 milhões de camponeses. Na frente bélica, formou o “Exército Voluntário do Povo Chinês” para apoiar os comunistas na Coréia do Norte, que haviam perdido quase todo o território e sido encurralados próximo à fronteira chinesa no rio Yalu pelo exército da ONU. Com apoio dos chineses, os norte-coreanos retomam territórios até chegarem a um impasse no 38º paralelo, onde foi instituída, três anos depois, a Zona Desmilitarizada (DMZ) e a fronteira atual entre as Coréias. Embora cerca de 500 mil chineses tenham morrido no conflito, inclusive um dos filhos de Mao, o resultado da guerra é tratado pela propaganda estatal como uma grande vitória e demonstração de força chinesa contra os ocidentais. Em resposta ao envolvimento da China na guerra, os EUA impuseram um embargo comercial total no país e se aproximaram ainda mais do KMT, mantendo sua Marinha no Estreito de Taiwan para proteger a ilha.
1953-1957
1º PLANO QUINQUENAL
Em 1953, Mao lançou o 1º Plano Quinquenal (1953-1957) para o desenvolvimento do país. O plano promoveu a modernização da infraestrutura, do transporte e da indústria, gerando efeitos imediatos na produção de carvão, ferro e aço, além da produção inédita de petróleo no país. Na agricultura, onde a maioria da população trabalha, o plano substituiu a lógica da reforma agrária pela coletivização da propriedade e dos meios de produção em cooperativas (dividiam terra, ferramentas e colheita), implementada em 80% do setor. As cooperativas, além de serem mais compatíveis com a ideologia socialista, colocando o trabalho como unidade básica social ao invés da família, também garantia maior controle dos membros pelo Estado. Esforços no campo da educação também foram feitos nesse período, visto que a taxa de alfabetização na época era cerca de 20%. Entre eles, a criação do Hanzi simplificado (1956) e depois do Hanyu Pinyin (1958). Entre 1954 e 1955, Mao seguiu provocando o KMT em Taiwan, com tentativas de tomada e bombardeios de ilhas mais próximas ao continente, gerando a 1ª Crise do Estreito de Taiwan. Os EUA, apoiadores ferozes de Taiwan, ameaçou o uso estratégico de bombas atômicas; ameaça essa que não passou despercebida por Mao, embora tenha servido para interromper suas agressões. No campo doméstico, Mao passou a década de 1950 perseguindo nacionalistas, capitalistas, oficiais corruptos, com campanhas, incentivo à denúncias e violência (não se sabe quantas pessoas morreram em consequência). Mas o sucesso do 1º Plano Quinquenal gerou uma atmosfera aparentemente mais relaxada e fértil. Isso se refletiu no censo de bens culturais de 1961, um raro ato de continuidade com os esforços do KMT, e produziu a campanha “Desabrochar de Cem Flores” (1956-1957), que dizia: “Deixai que cem flores desabrochem, deixai que cem escolas de pensamento rivalizem.” O recado foi interpretado pela população como um convite à liberdade de expressão, produzindo uma série de críticas à Mao e ao CCP/Governo por parte de intelectuais e de outros setores da sociedade. A reação, porém, foi uma violenta perseguição a mais de 500 mil pessoas por “lealdade insuficiente”, punidas com prisão, trabalho forçado e morte. No total, porém, não se sabe quantas pessoas foram mortas ou tiveram suas vidas destruídas entre 1949 e 1957.


1958–1960
GRANDE SALTO ADIANTE
Encorajado pelo sucesso aparente ou momentâneo do 1º plano, Mao lança o 2º Plano Quinquenal, mais conhecido como “Grande Salto Adiante” (1958–1960). Parte central da proposta é transformar as cooperativas rurais em “Comunas Populares“, nas quais o Estado/Partido passam a ser donos da terra, comprar toda a colheita e distribuir rações de volta ao povo. Cozinhas privadas são banidas por representar individualismo e são substituídas por cantinas públicas. Como grande parte das pessoas competentes exiladas ou sob alguma forma de punição, o planejamento e a comunicação das medidas foram falhos, as medidas e metas definidas eram ideológicas e frequentemente absurdas, e os dados das colheitas e de outros resultados eram fraudulentos. Em pouco mais de um ano, uma crise alimentar sem precedentes havia se instaurado. Comunas inteiras morreram de fome enquanto Mao, em vez de tentar consertar o problema, seguiu expurgando qualquer crítico, dentro ou fora do CCP. Quando o Ministro da Defesa Nacional denunciou publicamente a crise, Mao o prendeu e colocou um de seus seguidores mais fiéis, Lin Biao, no cargo. Em abril de 1959, Mao foi obrigado a aceitar situação, assumir erros e sair do comando do Governo, mantendo, porém, o comando do CCP e do Exército, junto com Lin Biao. Seus substitutos no comando Executivo abandonaram políticas irracionais (como a proibição de cozinhas particulares) e reduziram o tamanho das Comunas, às quais terras foram parcialmente devolvidas. De resto, são mantidos o controle do cotidiano e as políticas de educação, trabalho, entre outras. Em 1960 e 1961, Chiang Kai-shek utilizou a crise para promover uma campanha de pressão e propaganda tanto dentro quanto fora da China, enviando mantimentos por via área e reforçando o contraste entre o sofrimento no continente e a prosperidade de Taiwan. A Grande Fome Chinesa (1958–1962) matou estimadas 45 milhões de pessoas, (7% da população) — considerado até hoje um dos maiores desastres humanos preveníveis do mundo.
1958–1966
PODER NUCLEAR
Na frente internacional, a relação da China com a URSS vinha deteriorando desde a morte de Stalin e a ascensão de Nikita Khrushchov em 1953. Mao também amargurava as ameaças nucleares dos EUA em 1955. Em 1956, o isolamento chinês do cenário global se agravou quando o líder soviético denunciou os cultos de personalidade, numa crítica direta à Stalin e à Mao. A partir de 1958, paralelo ao “Grande Salto Adiante”, Mao deu várias demonstrações de força e independência: causou a 2ª Crise do Estreito de Taiwan bombardeando ilhas próximas; reprimiu uma revolta e ocupou definitivamente o Tibete em 1959; e avançou sobre a Índia, provocando a Guerra Sino-Indiana de 1962. Nesta última ocasião, a URSS apoiou a Índia, consolidando o rompimento (aparente desde 1959). Essas agressões, porém, não eram atos isolados: com Mao afastado do governo doméstico desde 1959, sua atenção se voltou para o poderio bélico da China. Apoiado por cientistas da Universidade de Ciências e Tecnologias (criada em Beijing em 1958), Mao desenvolveu um programa atômico. Em 1964, testou sua primeira bomba atômica em Xinjiang; em 1966, detonou seu primeiro dispositivo termonuclear. E assim, em menos de uma década, a China se tornou a 5ª maior potência nuclear do mundo, atrás do EUA, URSS, Reino Unido e França.


1966–1969
REVOLUÇÃO CULTURAL
Afastado do Governo Central desde 1959 e empoderado pelo sucesso de seu programa nuclear, Mao partiu novamente para a ofensiva contra todo e qualquer tipo de obstáculo para o seu poder total sobre a China. Seus principais apoiadores eram sua quarta esposa, Jiang Qing, conhecida como Madame Mao e com quem era casado desde 1938, e seu fiel Ministro da Defesa e Chefe das Forças Armadas, Lin Biao.
1961 > Governo edita uma lista com 180 “Principais Sítios Históricos e Culturais Protegidos em Nível Nacional”, apelidada guobao. > Todos foram preservados na Revolução Cultural menos 1.
The Cultural Revolution (1966–1976): A decade of intense socio-political upheaval aimed at purging “bourgeois” elements, crippling society and the economy.
Guardas Vermelhos > Livrinho Vermelho
Madame Mao encoraja violência
Revolução Cultural Proletária em 1966
“Four Olds” (old customs, old culture, old habits, and old ideas).
The Confucius Temple, Cemetery, and Family Mansion (Qufu, Shandong): Attacked and desecrated by Red Guards from Beijing; tombs were dug up and historical statues smashed.The Tomb of the Wanli Emperor (Dingling, Ming Tombs): The remains of the Wanli Emperor and his empresses were dragged out, publicly criticized, and burned.The Tomb and Memorial of Yue Fei (Tangyin, Henan): Statues, bronze figures, and historical stone tablets honoring the revered patriotic general were smashed and leveled.Chengdu Imperial Palace (Sichuan): The historic Ming-Qing regional palace complex was completely demolished and replaced by Tianfu Square and a statue of Mao Zedong.
The Only Exception: DinglingTo prevent the total loss of China’s primary historical assets, Premier Zhou Enlai deployed the military to barricade and legally shield the sites written on the official 1961 list (such as the Forbidden City and the Potala Palace). Thanks to these strict defensive measures, 179 of the 180 guobao sites were preserved essentially intact.The single major exception on the list that suffered catastrophic, irreversible destruction was Dingling, the tomb containing the Wanli Emperor:The Excavation: The tomb had been scientifically excavated just a few years prior in the late 1950s, making its underground palace open and highly visible.The Desecration (1966): Red Guards stormed the museum site, dragged the skeletal remains of the Wanli Emperor and his two empresses out into the open plaza, put them through a mock “posthumous trial,” and publicly incinerated them.The Aftermath: The emperor’s ornate imperial wooden coffins were chopped up and discarded, and numerous delicate silk and textile relics retrieved from the tomb rotted or were ruined due to poor preservation and political neglect during the chaos.
Inflamou jovens (como distribuiu livro e fotos?) contra reacionários, críticos, revisionistas, intelectuais, tradicionalistas, conservadores, por demonstrar indivudalismo
São publicamente humilhados, julgados em público, postos em passeatas > “struggle sessions” > familiares de pessoas punidas eram forçados a liderar os ataques / livros, artes e monumentos pré-comunistas são destruídos
No seu aniversário de 73 anos, Mao clama por guerra civil total, dez 1966, identificar, perseguir e matar todos os oficiais do partido que eram contra qualquer coisa; e substituiu por “Revolutionary Committees”.
1967 > mataram 250 mil e 750 mil aleijados
1968 > conceito de Revolução Permanente > agora era para expurgar CLASSES > 13 milhões submetidos a “struggle sessions”
Madame Mao (cada vez mais feia) está no auge do poder
A campanha gerou um estado de guerra civil ideológica e resultou no expurgo total de seus críticos:
- Liu Shaoqi (o Presidente da República) foi destituído, preso e morreu na prisão devido aos maus-tratos.
- Deng Xiaoping foi destituído de seus cargos e enviado para o interior para trabalhar como operário em uma fábrica.
- Xi Zhongxun: Pai do Xi Jingping, que era senior oficial do partido
- Poder Centralizado: Em 1969, o Partido Comunista declarou a Revolução Cultural um sucesso e consolidou o “Pensamento de Mao Tsé-Tung” como a única linha guia do país, devolvendo-lhe o controle total e incontestável da China até sua morte em 1976.
Zhou Enlai se torna contra seus parceiros de partido e sobrevive… mas a filha adotiva Sun Weishi é presa e morta… pai não expressa nada publicamente. Relação com Mao é complexa: Mao ressente popularidade de Zhou; mas precisa dele pra governar.
1968 manda parar os ataques, embora continuem por anos. Não sabem quantos morreram, entre os muitos mil ou milhões.
MUITA DESTRUIÇÃO
1969–1976
Com o arrefecimento da Revolução Cultural em 1968, a relação amargurada entre China e URSS finalmente atingiu seu ápice em um conflito armado nas fronteiras de Xinjiang em 1969.
1971-1979 > Ping-Pong Diplomacy
Estrangulamento do próprio CCP deixou a situação bem complicada e deixa os poucos sobreviventes paranoicos. LIN BIAO começa a ficar com medo e foge da China para a USSR, mas o avião cai na Mongólia e mata todo mundo. Não por acaso, seus aliados que ficaram pra trás também morrem na sequência.
Zhou Enlai segue atuando como diplomata interna e externamente para sustentar o governo. Ele começa uma campanha no início da década de 1970 ao redor do Sul Global > Marrocos, Egito, Indonésia, Romênia, etc. Desde 1945, na ONU, a China era representada por Taiwan/KMT; mas em 1971, Zhou Enlai consegue o reconhecimento da PRC como única China e dá a eles o lugar de Taiwan entre os 5 países do Conselho de Segurança.
Zhou isso usa para se reaproximar dos EUA em 1971 usando o Ping-Pong, China recebe time EUA e recebe pessoalmente atletas (dizem que ele manda os chineses a perderem alguns jogos). Abriu porta para trocas mais amigáveis entre eles. Mao e Nixon se encontram > visita China 1972. Mesmo sendo anti-comunista, vão se usar contra o USSR e para o bem de cada país. 1972 EUA acaba com embargo.
Entre 1972 e 1974 reabilitam Deng Xiaoping, aliado de Zhou Enlai
Saúde de Mao começa a deteriorar
Chiang Kai-shek, que um dia teve seu retrato no centro da Praça Tian’anmen, morre em 1975, meses antes de um TYPHOON que vai atravessar a China, destrói barragens em Henan/Hubei e geram o Banqiao Dam Failure (construído no Grande Salto?), matando milhares de pessoas (isso não saiu na época na mídia)
Em 1976-1976 > disputas partidárias entre MODERNIZADORES (Deng, Zhou, etc) e a “Gangue de Quatro” (Madame e outros 3), que controlavam mídia e cultura / abertamente trocaram críticas e a Gangue usa a máquina de propaganda pra queimá-los, com apoio de Mao
1976, Zhou morre de câncer, embora tenha sido diagnosticado cedo, dizem que Mao atrapalhou tratamento / povo se reúne para chorar a morte e protestar as difamações, mas mandam Exército dispersar e prender, culpam Deng pela perturbação e afastam ele novamente
Mao > doente há anos, finalmente morre aos 82 anos em 1976
“Se Mao tivesse morrido em 1956, suas conquistas seriam imortais; se tivesse morrido em 1966, ainda seria um grande homem, mas com defeitos. Mas ele morreu em 1976, alas, o que é possível dizer?” – Chen Yun em “Resolução sobre Certas Questões na História do Nosso Partido”, 1981


1976–1979
Após a morte de Mao, seu sucessor oficial Hua Guofeng, que oficialmente defendia as políticas de Mao, mas na prática equilibrava a manutenção de legados e a modernização do país.
Primeiro teve que lidar com a “Gangue dos Quatro” > e propaganda começa a surgir para serem punidos. No mesmo ano (1976), eles são presos e julgados (televisionado), sentenciados e punidos > nenhum morre (1991, Jiang se matou na prisão).
1978 > “Emancipe a mente; busque a verdade em fatos; unam-se como um e olhem para a frente” – Deng Xiaoping
1977-1979 > RISE OF DENG, aos 72 anos > história dele é dramática: 1930s estava com Mao contra KMT; foi um brutal impositor da perseguição anti-liberal em 1950s; reformador econômico em 1960s; se fudeu na Revolução Cultural; agora era um dos mais velhos e experientes do Partido.
Hua Guofeng chama ele de volta de novo porque o caos era profundo: 80% pop agrária ganhando 40 dólares por ano; e a administração do país em frangalhos, pessoas qualificadas dispersas, punidas, fazendo coisas banais e o poder na mão de doidos maoístas; universidades aleijadas, etc.
Deng advoga pela abertura do país à novas tecnologias e ideias (apoio para chineses irem para fora) e defende modernização radical; resgata “Quatro Modernizações” de Zhou Enlai > Agricultura, Indústria, Ciência e Defesa
1976–1979
“Setting things right” – Deng
1978 > Deng reforça que o caminho é o Partido Comunista, mas o jeito é outro. Se torna líder.
Acreditando na abertura ideológica de Deng, populares criam a “Parede da Democracia” onde pessoas colocam cartazes criticando Mao e a Gangue dos Quatro. “Big Character Posters”. Tudo é tolerado inicialmente, e a maioria é anônimo.
Mas um dia, “A Quinta Modernização” e assinada com seu nome (Wei Jingsheng) e endereço, ele defende a democracia como vital para a população ser livre e feliz. Acaba preso junto com outros, mas não são mortos.
Deng segue defendendo que a pobreza não cabe no socialismo e que essa é a verdadeira meta. Deng cria Quatro Princípios para reforçar ideologia: 1 – Socialismo é o caminho; 2 – Ditadura do Proletariado; 3 – Liderança do CCP; e 4 – Pensamento Marxista-Leninista-Maoísta. Acaba com discussões democráticas.
Deng visita EUA, assiste um rodeio no Texas
“Socialismo Chinês” > elementos do capitalismo são introduzidos; descentralização de decisões, controle de preços relaxados; iniciativa privada permitida. Começa com Áreas Econômicas Especiais (SEZ) em 1980: Hong Kong, Shenzhen, Shantou e Xiamen; depois vem várias “Open Coastal Cities” e Zonas… permitiam investimento estrangeiros, trocas e comércios… sucesso total.
Na área rural, eles desfazem as Comunas e redistribuem a terra por famílias/clães com maior liberdade do que plantar etc e produtividade aumenta 60%;
Estudantes e oficiais exilados na Revolução Cultural são reabilitados, voltam as admissões às Universidades…
Ajuda revoluções comunistas no Vietã e Cambódia; mas Vietnã é fechado com USSR, que a essa altura é brigada com China; e começa uma guerra Sino-Vietnamita em 1979, mas os vietnamitas tem certo sucesso e as Forças Armadas são reformadas
Deng convida outros ocidentais pra China, todos: Elizabeth II, presidente frances, etc. 2x Man of the Year da Time;
E tenta começar a negociar com Taiwan pra tentar reunificação pacífica. “One Country, Two Systems” em 1982, mas é jeitada pelo filho de Chiang Kai-shek
Promove pesado o Pinyin
Mortalidade cai; e até então o incentivo comunista era para se ter famílias grandes. Em 1980, chegavam perto de 1 bilhão, tendo dobrado desde 1950. Introduzem 1 child policy; e uma segunda criança gera multa, aborção forçada, esterelizações… E isso cria geração de filhos únicos, com preferência por homens (dai vem lendas de atrocidades contra primogênitas meninas). Vida das mulheres é muito afetada; por um lado sempre foram feministas, com incorporação no trabalho e direitos, mas não na liderança política e nos direitos reprodutivos.
Progresso avança, mas áreas rurais seguem pobres e a dualidade das políticas começam a frustrar.
Hu Yaobang, aliado de Deng, está em ascensão e é conhecido por ser a favor de abertura e por criticar “princelings” (filhos de membros do partido). Ele é o sucessor que o povo deseja para Deng.
Desde 1986, estudantes protestam e Deng pede a Hu dispersá-los, mas ele se recusa; é obrigado a se demitir, se humilhar e tem um ataque cardíaco 2 anos depois (1988). Isso gera revolta do povo que se reúnem em Beijing, semelhante à morte de Zhou Enlai.
De repente, protestos gigantescos tomaram Tian’anmen Square, fazendo referência à Movimento 4 de Maio 1919. Eles dizem que apoiam reforma mas querem liberdade de expressão/democracia. Zhao Ziyang, o outro apoiador de Deng, vai ao protesto em 19 de maio, simpatiza. Mas Li Peng, outro membro do partido, convence Deng a meter a porrada. Lei Marcial é declarada, dia 3 de junho mandam militares para dispersar na violência. Massacre do povo, com pelo menos 200 mortos; mas dizem que é muito mais. Câmeras pegam tanques descendo, um homem sozinho parado bloqueia os tanques. Mundo inteiro vê isso.
Censura extrema mas vazam algumas imagens e a opinião global fica crítica. Deng, 84 anos, mantém que era necessário fazer algo, mas se afasta da política. Zhao é removido e preso domiciliar por 15 anos. Li Peng segue no poder por mais 9 anos, parecendo que os conservadores do partido voltarão ao poder. “Reform is China’s Second Revolution”. – Deng


1976–1979
1992-1997 > Prosperidade sem Democracia
Isolada politicamente do cenário global após o Massacre de Tian’anmen > suspensão de empréstimos e apoio.
1987 KMT suspende Lei Marcial de Taiwan; 1991 são feitas as primeiras eleições democráticas da assembleia legislativa; e a industrialização dá frutos em áreas estratégicas como a fabricação de chips.
1992 > Deng reavive e vai numa campanha pelo Sul para visitar áreas bem sucedidas
Declara China uma “Economia Socialista de Mercado”
Isso dá um boom violento, mas desigualdade também; êxodo rural forte, sistema de controle de moradias, etc.
1997 > Deng morreu

1976–1979
Jiang Zemin > vira Líder Supremo
Primeiro líder a falar chinês, inglês e russo
1997 > reincorporam Hong Kong pacificamente da Inglaterra
1999 > mesmo com Macao de Portugal
2001 > entra na OMC, produtos se tornam ainda mais baratos e competitivos
Investimentos estrangeiros EXPLODEM, com a realocação de empresas para lá
Desde 2009, é a 2a maior economia do mundo
Continua a suprimir revoltas e oposições > vigilância sofisticada, “Grande Firewall“, etc.
1976–1979
RISE OF XI JINGPING
Família de elite em Beijing
Pai era um sobrevivente da Longa Marcha, e depois virou Secretário-Geral do Conselho do Estado (1959-1962), e Jingping era tratado como “Princeling”, título dos filhos dos oficiais de alto escalão. Em 1962, foi denunciado pelo pai, e no auge da Revolução Cultural (1966-1976), foi perseguido, humilhado e preso por 8 anos.
Jingping tinha 15 anos, foi expulso da escola e enviado para a área rural Liangjiahe, Shaanxi, viveu numa caverna, comeu mal, trabalhou…
Em 1974, para tentar melhorar sua situação pessoal, Jingping se filia ao Partico Comunista e retorna à Beijing. Quando Mao morreu em 1976, Jingping estava estudando filosofia comunista. Esse era o caminho possível no sistema político da China.
Na década de 1980 e 1990, ele optou por sair de Beijing e foi para Hubei, depois Fujian, onde foi Governador, depois Zhejiang… Ele ganhou credibilidade como humilde e trabalhador dedicado do Partido, experiência de gestão, cultivando apoio popular e de oficiais diversos nessas regiões. Ele ocupou rapidamente o cargo de Secretário do Partido em Xangai, onde conseguiu reverter uma situação de corrupção em 2007 e foi convidado, 7 meses depois, a participar do Standing Committee do Politburo em Beijing.
Queriam um “Princeling” (porque?) mas não um playboy ambicioso, e chamaram ele.
2021 > Secretário-Geral do Partido sai do poder e Jingping assume;
JINGPING acredita que o Partido precisa estar centrado em 1 pessoa; começa a remover diversos oficiais em campanha anti-corrupção; prendeu centenas de oficiais civis e militares de alto escalão.
2021 > 3rd historic resolution > Xi Jingping Thought
Ele voltou a se aproximar da Rússia, com Putin; voltou a intimidar os vizinhos; mas ele levou o desenvolvimento a todo o país.
Terceiro mandato 2022-2026
Vai ter quarto?

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